Morre Ruth Bader Ginsburg, juíza da Suprema Corte dos EUA

19 de setembro de 2020

Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram
Foto oficial de Ginsburg
Foto oficial de Ginsburg na Suprema Corte (2010)

A juíza Ruth Bader Ginsburg faleceu na sexta-feira (18) aos 87 anos, devido a complicações de câncer metastático de pâncreas, informou a Suprema Corte dos Estados Unidos.

A segunda mulher a servir na Suprema Corte, Ginsburg foi nomeada pelo presidente Bill Clinton em 1993. Com uma filosofia liberal, ela foi considerada um ícone do movimento feminista estadunidense.

“Nossa nação perdeu um jurista de estatura histórica”, disse o presidente do tribunal John Roberts. “Hoje sofremos, mas com a certeza de que as gerações futuras se lembrarão de Ruth Bader Ginsburg como a conhecemos, uma incansável e determinada campeã da Justiça”.

A juíza Ginsburg nasceu no Brooklin, Nova Iorque, em 15 de março de 1933 como Joan Ruth Bader. Ela veio de uma família pobre de imigrantes europeus judeus.

“Nenhum dos meus pais tinha como ir para a faculdade, mas os dois me ensinaram a amar aprender, a cuidar das pessoas e a trabalhar duro por tudo o que eu queria ou acreditava”, disse Ginsburg em 1993.

Ela começou a estudar Direito na Universidade Cornell, graças a uma bolsa de estudos. Em seu primeiro ano de faculdade, se destacou como a melhor aluna de sua classe. Foi lá também que recebeu conselhos e ideias que moldariam boa parte de sua filosofia jurídica.

Foi orientada pelo especialista em liberdades civis Robert Cushman. Em seu segundo ano, conheceu seu futuro marido, Martin Ginsburg.

Eles se casaram em 1954. Ela então se transferiu para Harvard, onde seu marido havia ingressado para estudar Direito. A doença de seu marido, que foi diagnosticado com câncer testicular, fez com que ela voltasse para sua cidade natal, Nova Iorque, onde completou seus estudos na Universidade de Columbia.

Ginsburg levou vários processos à Suprema Corte contestando medidas que eram discriminatórias contra as mulheres. Entre 1972 e 1978, Ginsburg levou seis casos à Suprema Corte e ganhou cinco deles.

Uma de suas primeiras batalhas foi convencer os juízes da Suprema Corte de que a 14ª Emenda à Constituição deveria ser aplicada não apenas contra a discriminação racial, mas também contra a discriminação sexual. A tarefa era enorme.

Em 1980, o então presidente Jimmy Carter a indicou para um dos três cargos no tribunal federal de apelações em Washington. Lá ela serviu por 13 anos até que o democrata Bill Clinton a indicou para ser a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Suprema Corte. Foi a oportunidade de ouro para derrubar gradualmente o muro da discriminação contra as mulheres.

Ginsburg em 1993
Ginsburg em 1993

Enquanto servia na Suprema Corte, ela escreveu seu livro My Own Words, uma compilação de seus discursos e escritos. Ginsburg será enterrado no Cemitério Nacional de Arlington, Virginia.

Poucos dias antes de sua morte, a magistrada manifestou o desejo de não ser substituída antes das eleições de 3 de novembro. Ela queria "um novo presidente" para nomear seu substituto.

“Meu desejo mais fervoroso é não ser substituída até que um novo presidente seja empossado”, disse Ginsburg em uma carta ditada a sua neta Clara Spera.

A morte de Ginsburg coloca o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, republicano, em uma situação difícil.

Há poucos dias, o presidente Donald Trump apresentou uma lista de 20 candidatos para preencher uma possível vaga na Suprema Corte. Na sexta-feira à noite, McConell disse que o Senado aprovará a nomeação de Trump antes da eleição de 3 de novembro.

Notícia relacionada

Fontes

Compartilhe
essa notícia: