Eleição municipal 'pulveriza' o domínio nas cidades entre partidos de centro

18 de novembro de 2020

Os partidos classificados como de centro político foram os grandes destaques das eleições municipais do último domingo (15) e dividiram o controle dos municípios de forma mais equilibrada. Pela primeira vez desde a adoção do atual calendário eleitoral municipal, em 1988, nenhum partido alcançou a marca de mil prefeituras conquistadas.

Dono da maior bancada no Senado, atualmente com 13 parlamentares, o MDB voltou a registrar o maior número de prefeitos (774) e de vereadores (7.335), posição que ocupa desde 1988. No entanto, o partido viu sua liderança diminuir, tendo perdido cerca de um quarto do seu plantel de prefeitos em 2020. Este foi o pior desempenho do partido desde que assumiu o posto de maior força política nas cidades brasileiras.

Os principais beneficiados foram o Progressistas (PP}, o Partido Social Democrático (PSD) e o Democratas (DEM), que registraram ganhos significativos. O PP se tornou o segundo partido com mais prefeitos (681) e vereadores (6.356) do Brasil (em 2016 havia sido, respectivamente, quarto e terceiro), seguido em ambas as listas pelo PSD (650 prefeitos e 5.673 vereadores). Já o DEM teve o maior incremento percentual de candidatos eleitos entre os grandes partidos do país, com 70% mais prefeitos e 50% mais vereadores.

Esses três partidos, somados ao MDB, têm algo em comum: com cargos no primeiro escalão do Executivo federal e nas lideranças parlamentares do governo, eles têm dado sustentação ao presidente Jair Bolsonaro.

Protagonistas das disputas políticas nas últimas décadas, o PSDB e o PT encaram agora um ocaso nas urnas municipais. O PSDB perdeu o posto de segundo partido com mais prefeitos e vereadores, e teve a maior redução de eleitos para esses cargos em números absolutos, perdendo cerca de 300 prefeituras e mil cadeiras nos Legislativos. Com o crescimento dos partidos de centro, os tucanos dividem mais os holofotes no próprio campo.

Por sua vez, o PT, que já havia sofrido um baque nas eleições de 2016, voltou a piorar seu desempenho. Entre os partidos de esquerda, o PDT se colocou como a principal referência em termos de distribuição nacional, ultrapassando o PSB em número de prefeitos e aumentando sua vantagem em vereadores. Ambos os partidos viram seus números piorarem, mas o PDT teve a menor queda. Apesar desse quadro, o PT ainda é a maior bancada da esquerda no Congresso Nacional.

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