Covid-19: no Brasil, Anvisa autoriza retomada do estudo da CoronaVac

11 de novembro de 2020

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Anvisa informou hoje que voltou a autorizar a retomada do estudo clínico da vacina CoronaVac, que no Brasil está sendo desenvolvida numa parceira do Instituto Butantan com a empresa chinesa Sinovac.

No comunicado, a Agência detalhou que o motivo para a permissão é que após o envio do Boletim de Ocorrência ontem à noite pelo Butantan, conseguiu avaliar os novos dados apresentados sobre o evento adverso grave' (EAG) que havia causado a interrupção.

A Agência também anunciou que "em respeito à privacidade e integridade dos voluntários de pesquisa, a natureza do EAG não será divulgado" e reiterou que tomou a decisão de suspender o estudo no dia 09 passado, considerando:

  • a gravidade do evento;
  • a precariedade dos dados enviados pelo patrocinador naquele momento;
  • a necessidade de proteção dos voluntários de pesquisa;
  • a ausência de parecer do Comitê Independente de Monitoramento de Segurança.

Entenda

Na segunda-feira a Anvisa emitiu uma nota onde anunciava a interrupção do estudo clínico da vacina CoronaVac devido a um "evento adverso grave". Segundo a Agência, o Instituto Butantan, que conduz os estudos no Brasil e que enviou os relatórios da vacina para análise, não deu explicações suficientes sobre este evento e por isto houve a suspensão temporária.

Dimas Covas, presidente do Butantan, no entanto, negou que o "evento adverso" não tenha sido detalhado no relatório.

Ontem à noite, o STF deu 48 horas para que a Agência detalhasse os motivos da interrupção do estudo no Brasil.

A politização das vacinas

Ontem, 10 de novembro, o presidente Jair Bolsonaro comemorou a interrupção dizendo que esta era "mais uma que Jair ganha", fala que foi condenada por políticos, inclusive da base aliada, cientistas e pela imprensa.

Bolsonaro acabou acusado de politizar a vacina, já que é oponente de Dória, governador de São Paulo, que já comprou milhões de doses da CoronaVac. Além disto, a vacina tem tecnologia chinesa, o que também não agrada o presidente.

Há cerca de 20 dias os dois já haviam tido um embate após o governador anunciar que a partir de dezembro a CoronaVac começaria a ser aplicada na população do estado. Bolsonaro, então, disse que a vacinação não seria obrigatória e que "não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem. Diante do exposto, minha decisão é a de não adquirir a referida vacina". Ele também chamou o imunizante de "a vacina chinesa de João Doria".

Segundo estudos iniciais, a CoronaVac é a que tem "melhor perfil de segurança" entre as que estão em teste no Brasil.

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Fontes