Covid-19: São Paulo recebe mais um milhão de doses da vacina Coronavac

3 de dezembro de 2020

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Outras 1 milhão de doses da vacina Coronavac foram entregues em São Paulo esta manhã. As vacinas vieram em 600 litros de produto "a granel" da China, onde foram embarcadas ontem em Pequim, em um voo comercial da Swiss Air Lines que fez escala em Zurique, na Suíça, antes do desembarque no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

O governador João Doria acompanhou pessoalmente a chegada do imunizante e usou seu Twitter para falar sobre o assunto: "Dia muito importante no combate à pandemia. Mais 1 milhão de doses da vacina em solo brasileiro. (...) Sentimento de esperança na luta pela vida."

São Paulo já havia recebido 120 mil doses duas semanas antes.

A CoronaVac

A vacina está sendo desenvolvida por uma empresa chinesa, a Sinovac, mas num acordo assinado com o Instituto Butantan e o Governo de São Paulo, o Brasil passou a fazer parte do estudo, com a aplicação de doses experimentais para obtenção de dados sobre sua segurança e eficácia.

Dados iniciais demonstraram, no Brasil, que mais de 94% dos voluntários não desenvolveram reações adversas à vacina, mas um relatório divulgado pela The Lancet semanas atrás, feito pelos cientistas chineses, enfatiza, no entanto, que faltavam dados conclusivos.

"Nosso estudo teve várias limitações. Primeiro, não avaliamos as respostas das células T (...); em segundo lugar, relatamos apenas dados de resposta imunológica para adultos saudáveis ​​e não incluímos indivíduos de grupos mais suscetíveis (indivíduos com mais de 60 anos ou com comorbidades); e dados sobre persistência imunológica ainda não estão disponíveis, os quais precisam ser melhor estudados".

No Brasil, a vacinação experimental chegou a ser suspensa devido a "um evento adverso grave", o que fez a Câmara exigir explicações da Anvisa, já que o Butantan relatou que o evento não tinha nada a ver com algum efeito contra o imunizante.

A Anvisa ainda espera mais dados e analisa os já enviados pelo Butantan para dar seu parecer final sobre a CoronaVac, pois todos os medicamentos, inclusive as vacinas, precisam de aprovação da Agência para serem usados no país.

Disputa política entre Dória e Bolsonaro

Apesar dos estudos não ser conclusivos na China e no Brasil, há semanas Dória disse que toda população de São Paulo seria vacinada a partir de janeiro, tendo o governo do estado contratado a compra de 46 milhões de doses do imunizante.

Algumas pessoas, principalmente nas redes sociais, consideram que disponibilizar o imunizante em SP seja uma "jogada política" de Dória, visando as eleições presidenciais de 2022.

Por outro lado, Bolsonaro reagiu, semanas atrás, dizendo que o Brasil não compraria a "vacina chinesa de Dória".

Sobre a negativa de Bolsonaro, em sua coluna no UOL o jornalista Ricardo Kotscho escreveu em 20 de outubro passado: "em seu esforço para fazer o relógio da história girar ao contrário e levar o Brasil de volta ao início do século passado, o capitão Jair Bolsonaro encontrou um novo inimigo: a vacina obrigatória contra a Covid-19, defendida por mais de 70% da população, segundo o Datafolha. Com isso, ele resolveu matar dois coelhos com uma cajadada só: o governador paulista João Doria, possível concorrente em 2022, e a "vacina comunista" desenvolvida pela China, em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo".

Na época do embate entre os dois, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, havia avalizado a compra por Dória, mas foi obrigado a, praticamente, se retratar no dia seguinte, após a fala de Bolsonaro.

Ontem, Pazuello anunciou que o Brasil terá disponíveis 160 milhões de vacinas ano que vem, a maioria delas da parceria Fiocruz-Universidade de Oxford-Aztrazeneca.

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