COVID-19: nova pesquisa no RS indica que apenas 0,13% da população já tem imunidade

29 de abril de 2020


A chamada “imunidade de grupo”, dado que poderia ser usado por governos para aliviar as medidas de isolamento e distanciamento social, ainda é baixa no Rio Grande do Sul (RS) - e provavelmente no Brasil todo. O levantamento é de cientistas da Universidade de Pelotas (UFPEL), que aplicaram 4.500 testes durante a segunda fase de uma pesquisa, a EPICOVID-19, que prevê testar 100 mil pessoas no estado para a descoberta de anticorpos contra o coronavírus no sangue dos testados.

Em função do resultado, Eduardo Leite, governador do RS, disse durante uma transmissão ao vivo no Facebook do Governo do RS esta manhã que “será preciso conviver um longo tempo com a medida de distanciamento social”. Ele também expressou oficialmente seu pesar pela perda de vidas e lembrou que o Brasil já ultrapassou a China no número de mortes por Covid-19. Além disso, disse que, hoje, a taxa de ocupação das UTIs em todo estado é de 66,2%.

Segundo Pedro Hallal, reitor da UFPEL e coordenador do estudo, “o resultado, com poucos contaminados, significa que a pandemia ainda está em estágio inicial no estado”. Ele também detalhou alguns dados e estimativas durante a transmissão ao vivo:

  • dos 4.500 testados, apenas seis (06) deram positivo, o que significa 0,13 % da população total;
  • apenas 1 a cada 769 dos gaúchos se infectou, ou seja, tem anticorpos;
  • cerca de 15.066 gaúchos têm, atualmente, anticorpos contra Covid-19.

Ele também comparou esta estimativa com a de outros países, que realizaram estudos parecidos: na Áustria ela é de 0,3% e na Islândia, 0,6%.

O que é a “imunidade de grupo”?

A “imunidade de grupo” (também "imunidade de rebanho" ou "efeito rebanho") refere-se a imunização de uma parte de uma população, seja de humanos ou não, através da vacinação ou imunização natural, quando ocorre a infecção por um agente e o corpo, naturalmente, produz anticorpos. Em geral, é considerada “ideal” uma “imunização de grupo” de 80 a 95% (que de cada 100 indivíduos, de 80 a 95 estejam imunizados). Este grupo de imunizados forma uma espécie de “barreira protetora” para que outros indivíduos não se contaminem, havendo, assim, menos infecções ou mesmo a erradicação da doença.

No caso da Covid-19, como ainda não há uma vacina, a única forma de se conseguir a “imunidade de grupo” é com a exposição das pessoas ao novo coronavírus, que em cerca de 80% dos casos causa efeitos leves ou não causa efeito algum, os chamados “casos assintomáticos”.

A estratégia de “imunidade de grupo” contra a pandemia de Covid-19 foi a possibilidade levantada em meados de março no Reino Unido pelo primeiro-ministro Boris Johnson, mas cancelada dias depois, quando as contaminações e mortes começaram a subir, fazendo do território um dos mais castigados pela pandemia.

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