WhatsApp adia mudanças em sua política de privacidade

16 de janeiro de 2021

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Quando o popular aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp anunciou que os dados de seus usuários poderiam ser compartilhados com Facebook, Messenger e Instagram, parecia que restava só duas opções: aceitar as condições de uso impostas ou excluir a conta.

A resposta foi quase imediata; milhões de pessoas deixaram a plataforma. O aplicativo Signal ultrapassou 50 milhões de downloads e o Telegram ultrapassou 500 milhões de usuários.

Uma má decisão? Este alvoroço causado na rede foi reconsiderado pelo WhatsApp, de propriedade do Facebook, que anunciou que adiou mudanças em sua política de privacidade. A data de implementação inicial era 8 de fevereiro; agora a empresa planeja realizá-los em 15 de maio, gradativamente, conforme consta em comunicado:

“Ainda estamos trabalhando para evitar qualquer confusão nos comunicando diretamente com os usuários do WhatsApp. Ninguém terá sua conta suspensa ou encerrada em 8 de fevereiro e vamos mudar nossos planos de negócios até depois de maio”.

Cristian León, especialista em tecnologia explicou o que essas mudanças implicam. “O Facebook terá acesso aos perfis do WhatsApp e aos contatos de cada usuário, isso implica uma violação da nossa privacidade, pois eles vão acessar mais dados pessoais do que já acessaram para fins comerciais”, afirma o especialista.

A empresa garante que atualizações são comuns na indústria e que isso não significa uma violação de dados pessoais. O WhatsApp afirma que foi gerada uma confusão nos usuários e garante que nem o aplicativo nem o Facebook poderão ver mensagens privadas ou ouvir chamadas; nem compartilham locais ou contatos.

Apesar desses argumentos, mais usuários preocupados com sua privacidade começaram a considerar outras alternativas. Os últimos dados de lojas de aplicativos demonstram que Telegram e Signal já ultrapassaram o WhatsApp no ​​número de downloads diários.

León também explica as vantagens e desvantagens dessas redes de mensagens instantâneas. “O Signal é muito mais conveniente, o Telegram também é uma ferramenta segura, mas não possui a criptografia ponto a ponto ativada por padrão, ou seja, podem ser interceptadas ou lidas, pode até ser ativado, mas muitos usuários não sabem como fazer; Por outro lado, o Signal sim”, garante.

Outra vantagem que León destaca sobre o Signal é que ele não salva metadados do usuário, como informações sobre que tipo de telefone eu possuo, onde estava ou que horas eram quando uma mensagem foi enviada; em vez disso, Telegram e WhatsApp, sim.

Em meio a essa polêmica, a desconfiança em relação ao Facebook é mais uma vez evidente, como explica Verónica Arroyo, associada de políticas públicas para a América Latina da Access Now. “O Facebook acaba sendo esse gigante que conglomera absolutamente tudo, […] acho que existe o medo de que sua privacidade seja totalmente violada”, disse.

Apesar de tudo, ambos os especialistas consideram positivo que se demonstre uma maior valorização da privacidade e da segurança digital dos cidadãos.

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