Agência Brasil

Grécia • 26 de janeiro de 2015

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A vitória do partido de esquerda Syriza nas eleições parlamentares da Grécia ontem (25) e a posse de hoje (26) de seu líder, Alexis Tsipras, como primeiro-ministro, geraram grande volume de opiniões e especulações hoje pelo mundo. Com a declaração, no primeiro discurso de Tsipras no cargo, de que a Grécia "deixou para trás a desastrosa austeridade" e toda a sua campanha eleitoral neste sentido, há quem admita a saída da Grécia da zona do euro.

Para a professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro Virene Matesco, a situação requer cautela e tempo para avaliar os próximos passos do governo recém-eleito. “O momento é de cautela por parte dos observadores. Precisamos esperar para ver o que vai acontecer. A Grécia se comprometeu a prestar contas do resgate de 240 bilhões de euros. Não dá para dizer que o governo simplesmente vai abandonar as medidas de austeridade, até porque isso significaria a saída do país da zona do euro.” “Ele [Tsipras] acaba de ser eleito e vai começar a conversar. Não acredito que deva tomar todas as medidas radicais anunciadas na campanha. O mundo hoje é globalizado. Nenhum governante governa para seu país, mas para o mundo”, avalia Virene.

Após sua vitória, Tsipras afirmou que “o veredicto do povo grego significa o fim da troika", a estrutura de supervisão da economia da Grécia constituída pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que desde 2010 avalia as medidas impostas ao país em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros. A professora da FGV diz que uma eventual saída da Grécia da zona do euro não traria problemas econômicos para o bloco porque a economia grega é pequena, mas poderia trazer danos políticos.

“O problema seria o enfraquecimento da estrutura geopolítica da União Europeia. A Alemanha, que é grande defensora e protetora institucional da moeda única, sairia prejudicada”, ressalta Virene, que acredita que a Grécia também sairia perdendo. “A Grécia tem dívida pública de 180% do PIB [Produto Interno Bruto]. O Japão tem dívida de mais de 200%. O problema não é o tamanho da dívida, mas a reputação do país. O mercado está disposto a financiar quem tem credibilidade. No caso da Grécia, a fonte de credibilidade é justamente integrar a zona do euro.”

Tsipras, de 40 anos, o mais jovem chefe de governo da Grécia em 150 anos, ao mesmo tempo em que declarou o fim da troika e da “desastrosa austeridade”, demonstrou sua intenção de negociar com os credores do país “uma solução justa, viável, duradoura, que beneficie a todos”. No juramento de posse, o novo primeiro-ministro prometeu aplicar a Constituição e as leis e trabalhar sempre pelo interesse geral do povo grego. Quebrando a tradição, Tsipras participou da cerimônia sem gravata, como normalmente se veste, e, por ser ateu, não prestou juramento religioso com a bíblia perante o líder da Igreja Ortodoxa grega.

Apesar das declarações de Tsipras, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, felicitou hoje o primeiro-ministro grego e disse que a União Europeia (UE) continua empenhada em ajudar a Grécia a colocar sua economia no caminho da sustentabilidade. No dia 12 de fevereiro, em Bruxelas, sede da UE, Tsipras já participará de uma reunião informal entre chefes de Estado e de governo do bloco, que será presidida por Tusk.

Notícia Relacionada

"Esquerda Radical SYRIZA vence as eleições parlamentares na Grécia", Wikinotícias, 25 de janeiro de 2015.

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