Talibã anuncia primeiro orçamento anual para o Afeganistão

15 de maio de 2022

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O Talibã no poder no Afeganistão divulgou seu primeiro orçamento anual no sábado. Autoridades disseram que será totalmente financiado por receitas domésticas e enfrenta um déficit fiscal de 44 bilhões, ou quase US$ 500 milhões.

O vice-primeiro-ministro Abdul Salam Hanafi disse em entrevista coletiva em Cabul que seu governo interino prevê gastos de 231,4 bilhões (US$ 2,6 bilhões) e estima receitas domésticas de 186,7 bilhões neste ano financeiro. Ele não explicou como a lacuna entre os gastos propostos e as receitas esperadas será superada.

“Todo o orçamento, incluindo gastos com educação, saúde, desenvolvimento, defesa ou outros setores, será financiado por nossas fontes de receita nacional sem nenhuma contribuição estrangeira”, disse Hanafi.

Ele acrescentou que 27,9 bilhões (US$ 0,33 bilhão) seriam gastos em projetos de desenvolvimento.

“Nosso foco e atenção máximos serão em como pavimentar o caminho para levar educação a todos os cantos do país para que nossos filhos possam receber educação de qualidade, incluindo ensino técnico e ensino superior”, disse Hanafi.

Um porta-voz do ministério das finanças explicou que as receitas são cobranças de departamentos relacionados com alfândegas, ministérios e minas. O orçamento vai até fevereiro de 2023.

O Talibã tomou o poder em meados de agosto de 2021. As últimas tropas estrangeiras lideradas pelos EUA se retiraram do Afeganistão em 30 de agosto de 2021, encerrando quase duas décadas de guerra com o grupo islâmico.

A comunidade internacional ainda não reconheceu o governo talibã, alegando falta de inclusão política, restrições aos direitos das mulheres e preocupações relacionadas ao terrorismo.

As Nações Unidas dizem que mais da metade dos 40 milhões de habitantes do país precisam de assistência. Grupos de ajuda internacional ainda estão tentando descobrir como ajudar urgentemente os afegãos sem dar ao Talibã acesso direto aos fundos.

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