Neymarpalooza: Neymar, sofre duras críticas por enorme festa de ano novo em meio a pandemia de COVID-19

30 de dezembro de 2020

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Em meio a pandemia de COVID-19 que, até o momento, já causou mais de 190 mil mortes em solo brasileiro, o jogador de futebol Neymar está organizando uma festa de réveillon na cidade de Mangaratiba, no Rio de Janeiro. Tal atitude tem gerado críticas severas por parte da mídia esportiva brasileira e no exterior. Na imprensa internacional, diversos veículos destacaram que o jogador promove a festa em um momento em que especialistas estão desaconselhando aglomerações, devido ao recente aumento de casos de COVID-19 no Brasil.

A título de exemplo, na capital do Rio de Janeiro a Prefeitura fechou toda a orla da cidade na noite da véspera de ano-novo, para evitar aglomerações. Em nota à BBC News Brasil, a Prefeitura de Mangaratiba afirma que orienta que as celebrações de fim de ano sejam feitas sem aglomerações e com o uso de máscaras e de álcool em gel, quando envolver pessoas de fora do convívio diário.

A festa

Ancelmo Gois, do jornal O Globo, noticiou que o craque do PSG receberia cerca de 500 pessoas em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, durante a virada do ano de de 2021 em uma festa de cinco dias de duração. Foi estabelecida uma regra para todos os convidados: celulares estão proibidos nas festas. Neymar não quer que fotos e vídeos circulem pelas redes sociais, principalmente em meio à pandemia da COVID-19. Ainda de acordo com as informações, o camisa 10 da Seleção Brasileira decidiu construir uma espécie de boate com proteção acústica num espaço anexo à casa onde ocorrerá a enorme festa. O objetivo é não perturbar os vizinhos com o barulho e principalmente evitar chamar a atenção.

De acordo com Léo Dias, colunista do Metrópoles, a festa de Neymar terá shows de diversos artistas, como Wesley Safadão, Ludmilla, Alexandre Pires, Menos é Mais, Léo Santana, Harmonia do Samba, Bruninho & Davi, Kevinho e Jeito Moleque.

Após a ampla exposição da festa de Ano Novo de Neymar na mídia, imensa repercussão negativa, a comemoração quase foi cancelada. Isso uma vez que, de acordo com pessoas próximas ao atleta, o pai dele teria recebido e-mails de patrocinadores que não estavam satisfeitos com essa conduta. Dentro desse cenário, ficou decidido que a festa irá acontecer, porém em proporções menores.

A agência Fábrica, responsável pela produção do evento, pronunciou-se nas redes sociais e confirmou que realizará uma festa particular na Costa Verde, entretanto sem venda de ingressos e para apenas 150 pessoas. A empresa informou ainda que a festa é uma produção dela, tirando o peso das costas do jogador. Confira a íntegra da nota:

A agência Fábrica esclarece que é a idealizadora e produtora de evento de réveillon na região da Costa Verde, no estado do Rio de Janeiro, que receberá aproximadamente 150 pessoas.
A realização do evento se dá cumprindo todas as normas sanitárias determinadas pelos órgãos públicos. A empresa esclarece também que o evento privado, com acesso exclusivo para convidados e sem vendas de ingressos, acontece com todas as licenças dos órgãos competentes necessárias para a sua realização. Bem como tem procedido em todos os eventos privados da agência no Rio de Janeiro e Ceará.” — Agência Fábrica

Críticas ao atacante

“O principal jogador de futebol do país não está entre nossos cidadãos mais conscientes. O mundo está enfrentando uma pandemia […] uma das principais recomendações para enfrentá-la é evitar aglomerações, e o que faz Neymar? Aglomera pessoas em uma festa de Réveillon de cinco dias. […] Não se mede grandeza de uma pessoa por sua conta bancária, sua frota de carros de luxo ou seu número de seguidores no Instagram. Neymar é um ótimo jogador de futebol, bastante popular, mas continua a ser pequeno nas coisas que realmente importam. Quando mais precisamos de bons exemplos, de responsabilidade, é triste constatar que esse é o maior ídolo do futebol brasileiro na atualidade.” — Walter Casagrande

“Eu quero só fazer um registro da irresponsabilidade criminosa do senhor Neymar, que agora passou de qualquer limite ao dar uma festa para 500 pessoas em Mangaratiba. Quer dizer, ele revela não apenas que ele não tem nada na cabeça, mas que ele é irresponsável socialmente, ele é um péssimo exemplo para o Brasil […] Esse rapaz não vai ser nunca, nunca, o número 1 do mundo, porque não tem cabeça para isso. Logo depois de, enfim, ter tomado uma atitude contra o racismo como tomou no jogo do PSG contra o time lá de Istambul, faz essa estupidez criminosa que está cometendo. E eu me pergunto onde está o Brasil que não fica indignado nem com o presidente que se desfaz das vacinas quando o mundo inteiro está sendo vacinado e no Brasil não”. — Juca Kfouri

“Eu estou com quem disse: seria muito simples o Neymar ir na rede social e dizer ‘não fui eu’. O LeBron James não está fazendo festa nenhuma. O Hamilton não está fazendo festa nenhuma. O Messi não está fazendo festa nenhuma. O Cristiano Ronaldo não está fazendo festa nenhuma. O Neymar tem o direito de fazer a festa que ele quiser, gastar o que ele quiser, ninguém tem nada com isso, mas não nessa circunstância, não neste momento, não com o drama que a população está vivendo […] Se ele tem a responsabilidade da festa, este cidadão está agindo de forma absolutamente errada, absurda, inadequada. […] Quantos milhões de pessoas têm admiração por ele? Quantas crianças se espelham nele, sonham em ser ele?” — Galvão Bueno

“Num momento tão difícil que nós estamos passando, 200 mil pessoas já vieram a falecer de COVID, e você, Neymar, quer dar festa? E você, Gabigol, quer dar festa? Desculpa, gente, não vou deixar de falar isso na abertura do Baita Amigos. Quando você, Neymar, não sabe o que você representa para as crianças e para o mundo, você tem que dar festa para 150 pessoas? Não pode, velho! Você não pode dar festa! Ninguém pode dar festa na po*** do que está acontecendo. Ninguém pode! Principalmente vocês, que tem pessoas que veneram vocês […] Quando eu vejo 200 mil pessoas morrendo de COVID, e eu quase morri de COVID, como você pode dar uma festa? Não é só o Neymar e o Gabigol, são todas as pessoas que estão dando festa. Como é que pode dar festa? Quando vocês fazem isso, as outras se sentem no direito de fazer também! E quando as pessoas se sentem no direito de fazer também, o que acontece? As pessoas morrem”, completou. — Neto

“Adoro um bom jogo de futebol, amo Copa do Mundo, mas me envergonho muito e não tenho como ídolos esses jogadores da atualidade. Neymar? Moleque mimado, mal-educado e só um dos muitos que se acham. Lixo!” — Astrid Fontenelle

“Neymar mostra que é só mais um neste enredo, perpetuando maus exemplos e um péssimo uso dos seus privilégios. Tem gente morrendo! Estamos perdendo pessoas queridas! E o cara quer fazer um réveillon para 500 pessoas? Depois conserta e fala que são 150? Minha sugestão se não dá para segurar, junta 10 e não fala para ninguém. Que vergonha sem fim! Toda vez que entro num Uber no exterior, me perguntam da onde sou. Falo que sou brasileiro e sempre tem duas respostas: futebol e mulheres lindas. Numa boa, o Brasil do meu coração toca Tom Jobim, Caetano. Futebol para mim é motivo de desgosto, vergonha e acima de tudo, desprezo. Me desculpa se sou um brasileiro que detesta futebol e seu mundo, mas ao invés de ficar bravinho com meu post fica a sugestão: faça algo para este esporte deixar de ser este mar de lama e vergonha” — Fernando Grostein Andrade

Repercussão internacional

O jornal francês L'Équipedefiniu como “a festa da discórdia no Brasil” a celebração organizada pelo atacante. “Apesar da pandemia de COVID-19 que está devastando o Brasil, Neymar, número 10 do PSG, está organizando uma festa de vários dias que reunirá centenas de convidados, perto do Rio,” escreveu o veículo em sua matéria.

Já o italiano La Gazzetta dello Sport enfatizou que, embora os celulares não possam entrar no evento que será realizado em uma vila particular alugada, a polêmica explodiu na internet por conta das dificuldades com a COVID-19, definindo o Brasil como ‘curvado’ pelo vírus. A publicação usa a manchete ‘na face da COVID’ e diz que é uma ‘tempestade.’ “Um Réveillon que questiona por completo a covid-19,” disse o Le Figaro em sua manchete sobre a farra.

Na Inglaterra, os tabloides Daily Mail e The Sun ressaltaram as precauções tomadas por Neymar, como as referentes aos celulares e a construção de uma discoteca com isolamento acústico em uma mansão para não incomodar os outros moradores da cidade de Mangaratiba, além do momento grave da pandemia no Brasil, com o número de mortes pelo vírus ultrapassando 190 mil pessoas. Já o The Guardian classificou a festa como ‘macabra’ e afirmou que Neymar é acusado de ‘dançar nos túmulos da pandemia.’ Nos Estados Unidos, o portal MSN foi outro a destacar o tamanho da festa.

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Fontes

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