Moçambique: Novos ataques em Cabo Delgado fazem população temer regresso da guerra

6 de janeiro de 2022

Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram

 

Um grupo armado alegadamente de inspiração radical islâmica, filiado ao Estado Islâmico, invadiu a tiros quatro aldeias dos distritos de Macomia e Meluco nesta semana, queimando casas e saqueando os poucos produtos alimentares em zonas estrategicamente guarnecidas por tropas nacionais e estrangeiras, disseram nesta quinta-feira, 6, várias fontes locais.

A intensificação dos ataques, desde a passagem do ano, acontece dias antes da cimeira dos chefes de Estado da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), prevista inicialmente para amanhã, 7, mas adiada para o dia 12, e que vai decidir sobre a permanência ou não da missão militar regional.

Os ataques reacenderam o clima tenso e de insegurança, numa região que experimentou uma estabilidade, com a presença das tropas estrangeiras, que combatem o terrorismo em Cabo Delgado.

O ataque mais recente ocorreu na noite da quarta-feira, 5, na aldeia Nova Vida, distrito de Macomia, quando o grupo entrou a disparar numa aldeia quase que deserta, porque a população passou a pernoitar nas matas, apesar da frequente patrulha militar, contou uma fonte local.

“Um homem apareceu com metralhadora e depois de obstruir a estrada começou a disparar, deu umas rajadas de tiros, e com aquele barulho todo de arma, pensávamos que fosse uma guerra completa que entrou na vila”, disse à VOA por telefone, Zulficar Abibo, morador da aldeia Nova Vida, sublinhando que os disparos não foram fatais porque a população já estava nas matas, onde pernoita.

Abibo, que ainda não tinha regressado ao seu esconderijo quando ocorreu o ataque, contou que viu várias casas saqueadas e queimadas quando regressou à aldeia ao amanhecer nesta quinta-feira, 6.

Com uma curta diferença horária, o grupo atacou na terça-feira, 4, as aldeias Mariria, Muaguide e Imbada, no distrito de Meluco, onde foi capturada a principal base dos terroristas em finais de Dezembro pela tropa conjunta de Moçambique e África do Sul.

No domingo, 2, o grupo já tinha destruído com fogo e saqueado uma barraca na aldeia Nangororo, em Meluco, depois de ter matado três pessoas, no sábado,1, na aldeia Nova Zambézia, no distrito de Meluco.

“Deus existe, eu estive em Meluco sede, eram 16:45 horas, passei Mariria, quando cheguei a Muaguide eram 17:15 horas os terroristas estavam a queimar, então fugi, estou aqui em Lindi”, conta outro morador de Meluco.

Ele fez um percurso de 30 quilómetros de Muaguide a Lindi de carro, salvando outras várias pessoas que escaparam do ataque que ele descreveu de mais “brutal”, pela forma como “destruíram as habitações em plena época chuvosa”.

O serralheiro de 43 anos já havia escapado do ataque à vila de Mocímboa da Praia em 2020, quando se encontrava a trabalhar naquele distrito costeiro, tido como o berço dos ataques jihadistas em Cabo Delgado.

Fontes