Líbano enfrenta crise humanitária segundo funcionário das Nações Unidas

24 de julho de 2006

Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram

Jan Egeland, funcionário das Nações Unidas responsável pelo programa de assistência às vítimas, visitou Beirute e disse que uma "crise humanitária assola o país".

Egeland permaneceu 48 horas no Líbano para estudar a forma de ajudar as pessoas que estão se mudando ou que ficaram presas em meio ao fogo cruzado.

Ele visitou Haret Hreik, um bairro densamente povoado de Beirute onde fica o quartel-general do Hizbolla, horas depois de a localidade ter sido bombardeada por Israel. Egeland chamou a destruição de "horrípilante" e criticou duramente Israel pelo bombardeio: "Eu diria que parece que houve um excessivo uso da força numa área com tantos civis... Isto torna-a uma violação da lei humanitária".

Ele acrescentou que uma crise humanitária assola o Líbano, e mais de quinhentos mil pessoas estão diretamente afetadas. Ele disse que os feridos são incapazes de conseguir tratamento, que nenhuma água potável está disponível e que dezenas de milhares de civis foram pegos no fogo cruzado entre as Forças de Defesa Israelenses e militantes do Hizbollah, principalmente no sul do Líbano.

O funcionário das Nações Unidas disse que espera que o número de pessoas que abandonam suas casas aumente "dramaticamente" tendo em vista que Israel recomendou a população do sul do Líbano para deixar a área, por causa das chances de haver uma nova operação militar por lá.

Egeland falou a repórteres dos planos para ajudar o Líbano. Ele disse que as provisões das Nações Unidas para a ajuda humanitária podem chegar dentro de poucos dias, mas que é necessário garantir um acesso seguro. Ele disse que "por enquanto, Israel não nos está dando o acesso."

As Nações Unidas e outras organizações de assistência pediram a abertura de corredores de ajuda humanitária. Israel disse que abriu um corredor de cerca 80 quilômetros de comprimento e 8 quilômetros de largura para a passagem segura até Beirute de barcos e aviões de ajuda.

Ao delinear os planos de uma ação de emergência, Jan Egeland pediu um fim à violência para facilitar o esforço de ajuda. Egeland também fez o apelo para uma doação de 150 milhões de dólares, quantia esta que seria usada no financiamento da ajuda humanitária no Líbano.

Segundo o General Udi Adam das Forças de Defesa de Israel que atuam ao sul do Líbano, Israel ainda não está preparada para um cessar-fogo. Ele disse para um canal de TV israelense que isto poderá levar algum tempo.

Informes sobre o saldo da guerra

Autoridades libanesas dizem que até agora morreram 360 pessoas no Líbano, incluindo civis e crianças.

Segundo o jornal libanês Diário Estrela, o número de pessoas obrigadas a se mudar passou de 900 mil na sexta-feira, sendo que há perto de 40 mil refugiados em Beirute. Outras estimativas colocam o número de refugiados entre quinhentos mil e um milhão.

Em várias cidades, há pouco estoque de comida, remédios e combustível, e as autoridades municipais dizem que são incapazes de atender a população. Foi solicitado o envio urgente de produtos alimentares como: leite, arroz, carne e açúcar; e de fraldas e instrumentos de cozinha; remédios como: insulina, analgésicos, antibióticos, e cloro para limpar a água; luvas esterilizadas; refrigeradores para guardar os remédios; tendas; geradores elétricos de 5, 10, 20 e 30 kva; cobertores e outras necessidades.

Israel alega que não está atacando civis e diz que a culpa é do Hizbollah que mantém suas operações dentro de áreas civis. O governo israelense diz que os militares tentam ser precisos ao máximo nas suas operações. Disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense Mark Regev: "A população libanesa não é nossa inimiga. Mas não podemos ficar à toa enquanto os terroristas do Hizbollah lançam foguetes contra nossas nossas vilas e cidades."

Israel pediu para que a população restante que vive no sul do Líbano parta, e filas de pessoas, algumas a carregar bandeiras brancas, começam a ir embora.

Fontes de Israel informam que cerca de 40 israelenses já morreram. Milhares de israelense vivem em abrigos contra bomba desde que a luta começou. Um terço de todos os residentes do norte de Israel deixou a área para evitar os bombardeios.

Fontes