13 de março de 2021

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O jornalista da Rádio Capital FM, na Guiné-Bissau Adão Ramalho foi alvo de uma tentativa de sequestro, que resultou em agressão enquanto fazia o seu trabalho na cobertura do regresso ao país do presidente do PAIGC e antigo primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, que também disse ter visto a agressão.

Testemunhas dizem que Ramalho foi retirado à força da viatura onde seguia por parte de um grupo de homens armados em frente à sede do PAIGC, aquando da chegada do Simões Pereira.

“O acto não se consumou porque houve a pronta intervenção da população que estava no local e de homens de segurança do líder do PAIGC”, refere uma outra testemunha, que pediu anonimato por medo de represálias.

Fontes diversas indicam que os homens que espancaram Adão Ramalho estão ligados à segurança da Presidência da República “que tinham vindo ameaçar o jornalista nos últimos tempos”, devido ao seu programa matinal “1ª Hora” na Rádio Capital FM.

"Liberdade de imprensa amordaçada", diz LGDH

Num comunicado divulgado horas depois, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) "denuncia a existência de um plano tenebroso que visa amordaçar o exercício da liberdade de imprensa na Guiné-Bissau" e "apela maior resistência contra todos os actos que visam aniquilar os alicerces do Estado de Direito na Guiné-Bissau".

Na nota, a LGDH afirma registar "com muita tristeza a agressão brutal perpetrada pelos agentes de segurança contra o jornalista Adão Ramalho da Rádio Capital FM, em pleno exercício das suas funções" e "repudia esta conduta abusiva e arbitrária das forças de segurança".

A organização sublinha repudiar "esta conduta abusiva e arbitrária das forças de segurança e exige a responsabilização criminal e disciplinar dos autores desta atrocidade".

O presidente do PAIGC também condenou a agressão de Ramalho que estava a cobrir a chegada dele à sede o partido.

“Não posso admitir aquilo que vi hoje, fui testemunha ocular da forma desumana como foi agredido o jornalista Adão Ramalho”, afirmou Domingos Simões Pereira.

Ataque a Antonio Aly Silva

O ataque a Ramalho acontece três dias de outro jornalista, António Aly Silva, ter sido raptado, espancado e deixado praticamente desmaiado numa das ruas de Bissau.

Em entrevista, Aly Silva, que é editor do blog Ditadura de Consenso, acusou o Presidente da República de ser o responsável pelo sequestro e espancamento dele por ser "a única pessoa que o liga a ameaçar".

Na quinta-feira, 11, Úmaro Sissoco Embaló refutou a acusação e disse que “quem for insultado pelo Aly que o leve à polícia, ao Ministério Público, agora ninguém tem o direito de o espancar da forma como foi espancado".

Embaló prometeu que "nenhum cidadão vai ser espancado daqui para a frente”.

Fontes