Dezenas de milhares protestam em Mianmar contra golpe militar

7 de fevereiro de 2021

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Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Mianmar pelo segundo domingo para protestar contra o golpe militar da semana passada e pedir a libertação da líder eleita Aung San Suu Kyi.

Manifestações começaram em diferentes partes de Yangon e convergiram para o Sule Pagoda, o centro da cidade. Houve relatos de grandes multidões também em outras cidades, incluindo Mandalay.

“O golpe militar é uma violação da nossa democracia e dos direitos humanos. Também insulta a vontade do povo. É por isso que somos contra o golpe militar ”, disse um dos líderes do protesto, Aung San Hmaine, ao serviço birmanês da VOA. “É importante honrar o resultado da eleição. É por isso que viemos aqui, fazendo protestos.”

Como os protestos iniciaram ainda ontem, as autoridades de Mianmar chegaram a cortar o serviço de internet, mas o restauraram hoje.

Muitos dos manifestantes gritavam “Viva a Mãe Suu”, uma referência à deposta Suu Kyi, e “Não queremos a ditadura militar”. Outros manifestantes fizeram uma saudação de três dedos, um sinal de resistência contra a tirania nos filmes “Jogos Vorazes”.

O golpe

A tomada militar em Mianmar começou na segunda-feira da semana passada, 25 de janeiro, com a detenção de Suu Kyi, que era a presidente de fato do país. Outros altos funcionários do governo também foram detidos.

Suu Kyi continua em prisão domiciliar em sua residência em Naypyitaw, de acordo com o porta-voz do partido, Kyi Toe, acusada de importação ilegal e uso de seis rádios walkie-talkie não registrados encontrados em sua casa.

Os militares que tomaram decretaram estado de emergência de um ano, que justificaram como sendo necessário devido a fraudes eleitorais no pleito de semanas atrás. No entanto, segundo anlistasd, as alegações de fraude são falsas e as eleições foram vencidas com uma esmagadora maioria pelo partido Liga Nacional para a Democracia de Suu Kyi.

Reações internacionais

O golpe militar foi condenado pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e outros líderes mundiais, que pediram a restauração do governo eleito.

O Conselho de Segurança da ONU, que muitas vezes luta para chegar a um consenso, emitiu uma declaração unificada na quinta-feira expressando “profunda preocupação” com a declaração do estado de emergência imposto pelos militares. Os 15 membros do Conselho, que incluem a China, também pediram a libertação de Aung San Suu Kyi, do presidente Win Myint e de outros detidos. 

Na sexta-feira passada, quase 300 membros do partido deposto se proclamaram os únicos representantes legítimos do país e pediram reconhecimento global como governantes de Mianmar.

Longa história de golpes

Mianmar, também conhecida como Birmânia, há muito vê uma luta entre os regimes civil e militar. Colônia britânica até 1948, o país foi governado por ditadores apoiados por militares de 1962 a 2010.     

Uma revolta em 1988 levou a uma eleição em 1990, que a Liga ganhou de forma esmagadora, mas os parlamentares eleitos foram presos e a ditadura continuou.     

Suu Kyi, filha do herói da independência assassinado de Mianmar, o general Aung San, emergiu como uma líder nos comícios pró-democracia da Liga Nacional. Ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1991 enquanto estava em prisão domiciliar.   

Em 2010, o general Than Shwe anunciou que o país seria entregue aos líderes civis, que incluíam generais aposentados. Eles libertaram prisioneiros políticos, incluindo legisladores da Liga e Suu Kyi, que foi eleita em uma eleição em 2012 e mais tarde se tornou conselheira de Mianmar.

Críticas prévias a Suu Kyi

Embora popular entre a maioria budista de Mianmar, Suu Kyi, 75, viu sua reputação internacional cair devido ao tratamento que seu governo deu à minoria Rohingya, de maioria muçulmana.     

Em 2017, uma repressão do exército contra os Rohingya, desencadeada por ataques mortais a delegacias de polícia no estado de Rakhine, levou centenas de milhares deles a fugir para a vizinha Bangladesh, onde permanecem.     

O Tribunal Penal Internacional está investigando Mianmar por crimes contra a humanidade.  

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