Deputado espanhol é expulso da Venezuela depois criticar CNE e Chávez

14 de fevereiro de 2009

Caracas, Venezuela

O representante eurodeputado espanhol Luis Herrero foi expulso hoje da Venezuela, depois de dar uma entrevista à rede de televisão Globovisión, na noite de ontem, onde criticou, entre outras coisas, a decisão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de fixar o fechamento dos centros de votação às 18h (20h30 no horário de Brasília) ao invés de às 16h (18h30 de Brasília), como em ocasiões anteriores. Herrerro criticou também os poderes presidenciais do presidente venezuelano Hugo Chavéz, classificando como ditador.

Horas depois, em discurso transmitido por rádio e televisão a todo o país, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, pediu ao Ministério das Relações Exteriores expulsasse o deputado pelas declarações que teria feito contra o organismo. Lucena disse que as declarações de Herrero foram uma "agressão" contra o CNE e contra a Venezuela.

Após receber a informação da expulsão, Herrero foi levado pela polícia para o aeroporto, que fica a cerca de 30 km de Caracas. O deputado saiu hoje a noite no primeiro vôo do aeroporto da cidade de Maiquetia, disse à imprensa o dirigente opositor Julio Borges.

Ao chegar a São Paulo, o eurodeputado espanhol disse que viveu uma situação "parecida com um sequestro", já que foi levado por policiais venezuelanos sem explicações até um avião.

O governo da Espanha convocou o embaixador da Venezuela, Alfredo Toro Hardy, depois da notícia do tratamento dos policiais ao deputado. O diretor-geral para a região ibero-americana do governo espanhol, Juan Carlos Sánchez, transferiu a queixa a Toro Hardy em uma reunião de 45 minutos, segundo fontes do Ministério de Assuntos Exteriores espanhol. Sánchez lamentou que a Espanha não tenha conseguido exercer a proteção consular devida a um cidadão espanhol que se encontra em processo de expulsão da Venezuela.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje em coletiva de imprensa que espera que o "lamentável incidente" envolvendo a expulsão, por parte de seu governo, do eurodeputado espanhol não prejudique as relações com a Espanha. O presidente venezuelano disse que lamentava que o eurodeputado tenha vindo desrespeitar a Venezuela e suas instituições, ao se referir às supostas declarações de Herrero contra o processo eleitoral venezuelano.


Tenho fé em que este lamentável incidente produzido de maneira proposital por esse indigno eurodeputado não prejudique em nada as excelentes relações que temos com o governo espanhol e muito menos com o povo espanhol (...) A Venezuela exige respeito.
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Questionado sobre os demais membros da delegação do Grupo Popular Europeu que estão na Venezuela, o presidente afirmou: "Seus status são de homens livres. Todos os que vêm [a este país] são homens livres, mas devem respeitar a Constituição e as leis de nosso país".

O eurodeputado espanhol Luis Herrero estava na Venezuela junto com outros políticos europeus, como convidado do opositor Partido Social Cristão (Copei).

A Venezuela realiza amanhã o referendo que decidirá sobre o direito à reeleição ilimitada em vários cargos públicos, incluindo o de presidente, ocupado desde 2 de fevereiro de 1999 por Hugo Chávez.

Fontes