18 de janeiro de 2021

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Por Rede Brasil Atual

O governo de Jair Bolsonaro admitiu que tinha conhecimento da situação crítica de esvaziamento do estoque de oxigênio nos hospitais de Manaus desde o dia 8 de janeiro. Naquele dia, o Ministério da Saúde foi avisado por e-mail pela própria empresa fornecedora do insumo vital. Seis dias depois, na quinta-feira (14), imagens mostraram ao Brasil e ao mundo a morte por asfixia de internados e de pessoas que necessitam de oxigênio para prosseguir seus tratamentos em casa.

A denúncia foi feita na noite deste domingo (17) pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF). No ofício, a AGU alega, no entanto, que o aviso foi dado de “maneira tardia” aos órgãos federais. O governo também revelou que o “iminente colapso do sistema de saúde” na capital amazonense já era de conhecimento do Ministério da Saúde desde o dia 3 de janeiro.

A crise foi tratada em reuniões do secretariado na ocasião até o dia seguinte – 4 de janeiro. O jornal Folha de S. Paulo, que teve acesso à posição do governo ao STF, aponta que a partir de então ficou decidido que uma comitiva seria enviada ao Amazonas.

Governo sabia

A AGU afirma que à época o Ministério da Saúde “ainda não havia sido informado da crítica situação do esvaziamento de estoque de oxigênio”, sobretudo em Manaus. A pasta, segundo o órgão, “só teve ciência no dia 8”. Na data, a fornecedora, White Martins, anunciou aos governos estadual e federal do “imprevisto aumento da demanda nos últimos dias que agravou consideravelmente a situação de forma abrupta”. De acordo com o jornal, “essa demanda superava e muito a quantidade contratada pela secretaria de Saúde”.

No dia 11, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, esteve em Manaus, onde ficou até quarta-feira (13). Apesar de saber da iminência do colapso e até citar que havia sido avisado pela própria cunhada, o ministro minimizou os alertas. Conforme reportou a RBA, Pazuello usou da visita para pressionar as unidades de saúde de Manaus a utilizar o estoque de cloroquina e ivermectina, medicamentos que não têm eficácia comprovada contra a covid-19. No dia 14, os hospitais colapsaram.

Caos segue no Amazonas

A falta de oxigênio atinge não só os hospitalizados por covid-19, mas todas as ala de pacientes internados, inclusive bebês. De acordo com o portal G1, até ontem, 74 pessoas precisaram ser transferidas para Teresina, São Luís, João Pessoa e Brasília. Nos próximos dias, outros 235 pacientes também devem deixar Manaus para serem internados em outras cidades.

O site Amazônia Real aponta ainda que, entre sexta e sábado, 16 mortes por asfixia foram confirmadas no interior do Amazonas. A reportagem da Folha também flagrou alta procura pelos serviços de saúde no estado, com corredores de internação lotados de macas.

Omissão criminosa

Pelo Twitter, a deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ), comentou que a omissão do governo em atuar, apesar de saber com exatidão sobre a data do colapso, é “criminosa”. “Qual a justificativa para deixar as pessoas morrem asfixiadas? Bolsonaro deve ser imediatamente interditado”, reivindicou a parlamentar.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) escreveu que as informações da AGU revelam que “trata-se, portanto, de uma omissão criminosa que custou centenas de vidas. Quem irá responder por essas mortes?”, questionou.

A União também alegou ao Supremo que buscou ajuda dos Estados Unidos, Chile e Israel para garantir o transporte de oxigênio até Manaus. Aliados ideológicos do governo Bolsonaro, nenhum dos três materializaram a ajuda.

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