Covid-19: Brasil registra semana com maior número de casos desde o início da pandemia; casos e óbitos crescem há um mês

20 de dezembro de 2020

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Painel Covid-19 do Conass em 19/11/2020

O Brasil registrou esta semana, de domingo passado até ontem, sua semana com mais casos de Covid-19 desde o início da pandemia, com 320.581 novas infecções. A outra "pior semana" havia ocorrido há cerca de cinco meses, entre os dias 19 e 25 de julho, com 319.389 infecções.

Os dados (ver gráfico) são do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e foram divulgados no final da tarde de ontem.

Segundo o Painel Covid-19 do Conass, os casos não param de crescer desde 08 de novembro, há seis semanas, com cada semana registrando um aumento médio de mais de 20 mil infecções. Já em relação aos óbitos, eles crescem há um mês, com 3.572, 4.067, 4.495 e 5.082 mortes registradas nas últimas quatro semanas, respectivamente - foram mais de 1.500 mortes a mais esta semana em relação ao período de 22 a 28 de novembro.

Esta semana também, o país teve o primeiro dia com mais de mil mortes desde 30 de setembro, tendo registrado 1.092 novos óbitos entre 16 e 17 de dezembro.

Cenário ruim

Com as medidas "afrouxadas" em outubro, devido à campanha política das eleições municipais e também para evitar mais impactos negativos às atividades econômicas, com as aglomerações agravadas agora para as compras de Natal, os casos e mortes não devem diminuir se os governos federal, estadual e municipal não tomarem medidas mais extremas, ainda mais que vem pela frente os dois meses das férias de verão, quando as praias de sul a norte do país costumam ficar lotadas.

É o que opina Rubens Belfort Jr., presidente Academia Nacional de Medicina (ANM), que publicou uma nota há cerca de duas semanas onde "manifesta enorme indignação pelo descaso, descuido e negligência por parte das autoridades governamentais e das classes políticas que seguem omissas e servis a interesses eleitorais, menosprezando a vida dos cidadãos". (...) "O negacionismo irresponsável de muitos gestores e políticos precisa cessar já".

"Há necessidade imediata de implementação de exemplos e de medidas de proteção individual e coletiva, controlando-se o risco aumentado pelas atividades recreativas e sociais, atualmente descontroladas pela falta de liderança", disse Belfort também na nota.

Quando o Brasil alcançou 180 mil mortes por Covid, há duas semanas, Luiz Henrique Mandetta, ex-minstro da Saúde, disse à Globonews: "este era um cenário que eu falei para o presidente [Bolsonaro] que se ele continuasse com o negacionismo e se a população não tivesse liderança, era o nosso pior cenário. Nós tínhamos que enfrentar isso unidos. O nosso adversário era o coronavírus". Ele também opinou que o cenário continuará ruim em 2021, já que não haverá vacinas para todos. "Prevenção mais do que nunca agora, porque esse vírus vai continuar circulando", disse.

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