4 de julho de 2022

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Agência VOA

Um dia depois da Guiné-Bissau ter assumido a presidência rotativa da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), analistas políticos consideram que o sucesso dessa gestão vai depender das suas ações internas sobre o respeito pelos princípios do Estado de Direito Democrático.

O fato é apontado como um marco importante do ponto de vista político e diplomático para o país.

“Por ser um país lusófono a assumir a Presidência rotativa da CEDEAO é um motivo histórico a carimbar”, começa por dizer Samba Bari, jornalista e investigador independente, para quem, não há dúvidas sobre o impacto político-diplomático que este marco tem para a Guiné-Bissau e para o Presidente, Umaro El Mockthar Sissoco Embaló.

“O impacto político demonstra que estamos perante um reconhecido poder de influência do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e aprovada agressividade diplomática em curso que agora nos orgulha enquanto membros da comunidade”, acrescenta Bari.

A Guiné-Bissau assume a Presidência da CEDEAO numa altura em que estão por resolver situações políticas transitórias no Mali, Guiné-Conacri e Burkina Faso, países marcados por golpes de Estado nos últimos dois anos.

São desafios que o jurista e investigador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, Fodé Mané, não espera que a Presidência da Guiné-Bissau esteja à altura de resolver, devido à fraca dinâmica da própria organização.

Mané deu como exemplo o facto de “uma das resoluções mais importantes tomadas nesta cimeira, foi a de aligeirar sanções contra Mali e a Guiné-Conacri”, o que, para ele, “é a CEDEAO a ir atrás deles, ao invés de aplicar mais sanções para que estes países tenham que voltar atrás”.

O jornalista, investigador independente e autor de vários livres sobre o contexto politico guineense Samba Bari considera que a prioridade de Presidência guineense deve ser o de “pacificar o ambiente político nos países membros ao ponto de terem condições para poder acordar numa iniciativa conjunta na luta contra o terrorismo regional”.

“Mas para que isso possa acontecer é preciso acalmar o nosso ambiente político interno porque quem quer dar exemplo é preciso ser exemplar”, conclui Bari.

Por seu lado, questionado sobre as vantagens da Presidência para o país, Fodé Mané diz não ver nenhumas porque “a Guiné-Bissau depara com os mesmos problemas que os outros países da CEDEAO.”

O mandato da Presidência guineense é de 12 meses.

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