Ativista iraniana anti-hjjab pode pegar 12 anos de prisão se for deportada da Turquia

22 de novembro de 2020

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Uma ativista iraniana anti-hijab que fugiu do Irã após ser sentenciada a 12 anos de prisão agora enfrenta a possibilidade de deportação enquanto detida num centro de repatriação na Turquia.

Nasibeh Shemsai, 36, foi presa no aeroporto de Istambul em 5 de novembro quando tentava pegar um vôo para a Itália usando um passaporte falso para se reunir com seu irmão na Espanha.

Ela foi inicialmente levada para uma delegacia de polícia em Istambul, depois foi transferida para um centro de repatriação em Edirne, uma província fronteiriça no noroeste da Turquia, de onde poderia ser enviada de volta ao Irã.

Protestos anti-hijab

Arquiteta de ocupação e montanhista, Shemsai em 2018 escalou o pico mais alto do Irã, o Monte Damavand, e tirou seu lenço para uma foto em solidariedade às "meninas da Enghelab [revolução]", que participaram de protestos contra o hijab, vestimenta obrigatória no Irã.

Shemsai também foi vista em um vídeo do "Quartas-feiras brancas", no qual distribuía flores brancas para mulheres no metrô de Teerã para mostrar solidariedade a Nasrin Sotoudeh, uma importante advogada de direitos humanos que apenas recentemente ganho o direito à prisão condicional devido a problemas de saúde

"Quartas-feiras brancas" é uma campanha nas mídias sociais contra a lei iraniana que força o uso do lenço para cobrir a cabeça.

Em maio de 2019, Shemsai foi presa pelo regime iraniano por várias acusações, incluindo atividades anti-regime e insultos aos valores sagrados do Islã. Após seis meses de detenção, o tribunal a libertou em liberdade condicional.

Em maio passado, Shemsai foi chamada ao escritório de um promotor iraniano e teve seus documentos de identificação e pertences pessoais confiscados pela Guarda Revolucionária. Ela foi informada no escritório do promotor sobre uma iminente sentença de prisão de 12 anos, o que a levou a fugir para a vizinha Turquia com ajuda de traficantes [de pessoas].

Proteção internacional

Em Istambul, ela conseguiu um passaporte falso de um contrabandista de pessoas para deixar a Turquia e se reunir com seu irmão na Espanha, segundo seu advogado. Sua prisão e detenção em 5 de novembro desencadeou uma ampla campanha nas redes sociais por ativistas iranianos e turcos exigindo que a Turquia permitisse que ela permanecesse no país.

A Diretoria Geral de Gestão da Migração (DGMM) da Turquia disse que os processos judiciais contra Shemsai continuam. Um comunicado de imprensa reportou que até segunda-feira passada ela não havia solicitado proteção internacional da Turquia.

Devido a uma limitação geográfica às Convenções de Genebra, a Turquia concede o status de refugiado apenas a indivíduos dos Estados membros do Conselho da Europa. Por meio dessa medida, a Turquia registra os não-europeus como requerentes de proteção internacional.

De acordo com os números do DGMM, 3.588 iranianos solicitaram proteção internacional na Turquia no ano passado.

Deportações anteriores

Peyman Aref, um jornalista iraniano baseado em Bruxelas, disse que para muitos iranianos, como Shemsai, a Turquia não é um destino seguro devido à suposta cooperação entre as autoridades iranianas e turcas.

“A Turquia e o Irã têm estreita cooperação em inteligência. A Turquia entregou muitos ativistas iranianos ao Irã nos últimos anos ”, disse Aref à VOA, referindo-se às deportações de Mohammad Rajabi e Saeed Tamjidi.

O Ministério das Relações Exteriores turco não respondeu ao pedido da VOA para comentar essas alegações.

Rajabi, 26, e Tamjidi, 28, participaram de protestos antigovernamentais de novembro de 2019 no Irã. Depois de inicialmente serem presos e libertados, eles fugiram para a Turquia em busca de asilo. No entanto, eles foram detidos pelas autoridades turcas e deportados para o Irã, onde foram imediatamente presos e condenados à morte em fevereiro passado.

A Suprema Corte iraniana manteve suas sentenças de morte em julho passado, mas suspendeu as execuções até um novo julgamento.

Ativistas de direitos humanos disseram que as sentenças de morte visam intimidar futuros manifestantes.

O advogado de Shemsai em Istambul, Ugur Ozdemir, disse à VOA que sua cliente solicitou proteção internacional na Turquia na terça-feira enquanto estava detida no centro de repatriação.

Ozdemir disse que a deportação anterior de ativistas iranianos que solicitaram proteção internacional dissuadiu Shemsai de buscar refúgio na Turquia imediatamente após cruzar a fronteira iraniana.

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