23 de maio de 2009

Roh Moo-Hyun em 26 de outubro de 2004.
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O antigo Presidente sul-coreano Roh Moo-Hyun, investigado num caso de corrupção envolvendo vários milhões de dólares, morreu hoje na sequência da queda de uma falésia, aparentemente um suicídio, de acordo com familiares e uma carta de adeus que deixou.

A notícia surpreendeu os sul-coreanos e o Presidente Lee Myung-Bak, que qualificou o incidente como “triste e trágico” e ordenou funerais nacionais, “com o respeito e conforme o protocolo previsto para um antigo chefe de Estado”.

Roh Moo-Hyun, foi eleito Presidente em 2002, à frente do partido progressista Uri, para o mandato de cinco anos, entre fevereiro 2003 até 2008, caiu da montanha na vizinhança de sua casa, em Gimhae, perto da localidade de Bongha, no sul do país, onde morava desde que se retirou da vida política, informou a polícia.

Sua morte foi confirmada às 9h30 no sábado (21h30 de sexta-feira em Brasília e 0h30 de sábado em Lisboa), em um hospital de Busan (sul do país), de acordo com a agência sul-coreana "Yonhap".

Suicídio

Roh Moo-hyun deixou um bilhete suicida antes de cair na sexta-feira de uma montanha, afirmou seu antigo secretário e advogado Moon Jae-in, que disse que o ex-governante "se atirou" por vontade própria e que deixou uma breve carta a sua família.

“O Presidente Roh saltou de uma rocha, nas montanhas por detrás da aldeia de Bongha”, afirmou o seu antigo secretário, Moon Jae-In, que se referiu também à carta de despedida.

Roh, 62 anos, saltou no momento em que o seu companheiro de caminhada estava distraído. Não morreu logo. Ferido com gravidade, foi levado para o hospital, onde não resistiu e morreu em decorrência das graves lesões sofridas.

A estação de televisão YTN disse que deixou uma carta onde se lia: “Não fiquem tristes; a morte e a vida não são a mesma coisa? (...) Foi muito duro. Causei muitos problemas a muita gente. (...)”. A cadeia televisiva disse que a família pretende incinerar o corpo e erguer uma placa de homenagem na localidade.

Corrupção

Roh Moo-Hyun, advogado de formação, foi defensor das vítimas da ditadura do princípio dos anos de 1980 e um paladino pró-democracia. Na sua luta pelas liberdades, passou pela prisão em 1987, por ter feito uma incitação à greve, depois do que se voltou para ativamente para a política, enquanto deputado.

Já no poder, foi artesão de um período de degelo nas relações, sempre muito tensas, com o regime comunista da Coreia do Norte. Mas já no fim do seu mandato, a sua governação e a sua reputação foram feridas por vários escândalos de corrupção.

O antigo Presidente estava a ser investigado num caso de desvio de um milhão de dólares para a mulher por um rico comerciante de calçado, e ainda o pagamento por este último de cinco milhões de dólares ao marido de uma das suas netas. Na mensagem que deixou, escreve: “Foi muito duro. Causei muitos problemas a muita gente. (...)”.

O ex-governante era suspeito de ter recebido US$ 5 milhões de um empresário sul-coreano quando presidia o país.

Roh Moo-Hyun, eleito em parte devido a um programa contra a corrupção, desculpou-se publicamente pela implicação da família no caso, mas rejeitou qualquer desfalque pessoal.

Foi o terceiro Presidente sul-coreano a ser convocado pelo procurador, depois de Chun Doo-Hwan e Roh Tae-Woo, condenados à morte por corrupção e incitação à revolta, mas agraciados (absolvidos) em 1997.

Em dezembro de 2008, seu irmão mais velho, Roh Gun-pyeong, foi detido por supostamente aceitar um suborno em troca de um favor empresarial para a construtora Daewoo.

Em 30 de abril de 2009, Roh Moo-hyun compareceu ao escritório da Promotoria em Seul para depor sobre o envolvimento no escândalo de suborno. Roh se suicidou-se no meio da investigação de um escândalo por supostos subornos milionários durante seu mandato.

Repercussão Internacional

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, manifestou-se “surpreendido” com o falecimento repentino de Roh e apresentou as suas condolências à família e à Coréia do Sul.

O líder norte-coreano, Kim Jong-il, transmitiu suas condolências à família do ex-presidente sul-coreano Roh Moo-hyun, que se suicidou no sábado, segundo informou a agência estatal norte-coreana de notícias "KCNA", citada pelo sul-coreana "Yonhap".

"Ao ouvir a notícia que o ex-presidente Roh Moo-hyun faleceu em um infeliz acidente, expresso minhas profundas condolências a sua viúva Kwon Yang-sook e seus familiares", disse o líder norte-coreano em comunicado.

No entanto, a agência norte-coreana não informou como fez chegar esta mensagem à família de Roh, segundo a "Yonhap".

Fontes