21 de fevereiro de 2007

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As FARC não estiveram presentes na reunião do XIII Foro de São Paulo, mas enviaram uma carta em que defendem a sua participação no encontro e a luta armada e destacam a participação do Partido dos Trabalhadores do Brasil (PT) para o surgimento do Foro. O PT é o mesmo partido do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que durante muitos anos foi presidente de honra do Foro.

Em sua carta, inicialmente as FARC lembram as circunstâncias em que foi criado o Foro de São Paulo:

Em 1990 já se via vir abaixo o campo socialista, todas as suas estruturas fraquejavam como castelo de cartas... Ao derrubar-se esse modelo, para muitos se acabou a motivação de luta e só ficamos uns poucos sonhadores que nos mantivemos e seguimos mantendo na teoria, na política e na realidade de novas expressões de socialismo... Na América: Cuba ficou só, navegando na crise mais profunda que tocou viver a país algum, com seu comércio que alcançou níveis de queda que não poucos acreditavam impossível de reverter dada a brusca mudança nas fontes e condições de seu comércio exterior.

Segundo as FARC, foi importante a iniciativa do Partido dos Trabalhadores (PT) ao propor a criação do Foro:

É nesse preciso momento que o PT lança a formidável proposta de criar o Foro de São Paulo, trincheira onde nós pudéssemos encontrar os revolucionários de diferentes tendências, de diferentes manifestações de luta e de partidos no governo, concretamente o caso cubano. Essa iniciativa, que encontrou rápida acolhida, foi uma tábua de salvação e uma esperança de que tudo não estava perdido. Quanta razão havia, transcorreram 16 anos e o panorama político é hoje totalmente diferente.

O documento comenta a aliança entre oito países participantes do Foro, os quais atualmente orientam sua política de acordo com os interesses da organização: Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Equador, Brasil, Uruguai e Argentina.

As FARC lembram que, inicialmente, o Foro contava apenas com um membro fundador no governo (Cuba), porém agora há oito membros fundadores do grupo que estão no governo. As FARC ressaltam que, apesar de essas forças terem chegado ao governo, elas não estão, por causa disso, separadas das obrigações com o Foro de São Paulo: "... pensamos que os partidos que se encontram no Foro e que fazem parte dos governos têm o espaço, o justo direito e a necessidade de pleitear em seus países o fortalecimento do movimento tal como foi criado".

As FARC protestam contra alguns membros do Foro que não desejam que ela, de caráter militar, participe explicitamente das reuniões do grupo. Segundo as FARC:

Cremos ser oportuno manifestar nossa inquietação e desagrado pela posição de alguns companheiros que, em forma e sob responsabilidade pessoal, publicamente dizem que as FARC não podem participar no Foro, por ser uma organização alçada em armas. A luta armada não se criou por decreto e tampouco se acaba por decisão similar; é a expressão de um povo que sofreu a devastação de sua população em mais de um milhão de pessoas que, nestes 60 anos, foram assassinadas, é a expressão dos milhares de militantes que foram assassinados do Partido Comunista e da União Patriótica, é a expressão de milhares de sindicalistas que foram assassinados nestes últimos anos.

O XIII Encontro do Foro de São Paulo ocorreu em San Salvador, na capital El Salvador, entre os dias 11 e 16 de janeiro de 2007, no Hotel Real Intercontinental.

O documento das FARC pode ser lido na íntegra no próprio website da organização.

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Referências

Fontes