Retomada de protagonismo do Brasil na agenda ambiental é um dos desafios internacionais, diz professor da FGV

12 de agosto de 2022

Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram

 

Por Portal da Câmara Municipal de São Paulo

Na reunião da Comissão Extraordinária de Relações Internacionais da Câmara Municipal de São Paulo desta quinta-feira (11/8), o professor de Ciências Políticas e Relações Internacionais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Guilherme Casarões, analisou os desafios do cenário internacional para o próximo presidente do Brasil e explicou os motivos que o levam a desconsiderar uma guerra entre China e Taiwan, apesar das ameaças. Ele também falou sobre a influência das redes sociais na política e o impacto para a política exterior.

“É importante entender as perspectivas para a diplomacia brasileira, seja quem for o novo presidente. Os nossos desafios não são poucos, mas vamos torcer para que o próximo eleito faça com que o Brasil continue honrando sua tradição de ser um país diplomático, amigo de todos e que trabalha por um mundo melhor”, refletiu a presidente do colegiado, vereadora Cris Monteiro (NOVO), que se alternou nas perguntas ao professor, com o vice-presidente, vereador André Santos (REPUBLICANOS).

Sobre o desafio externo para o próximo mandatário, o professor Guilherme Casarões explicou que antes de pensar em uma política externa, será necessário pacificar a animosidade política do país, para ter uma base consensual interna. Depois ele citou três desafios externos principais.

“O primeiro é recolocar o Brasil no jogo diplomático internacional. Por decisão política, o presidente Bolsonaro retirou o país de temas importantes no exterior, onde era referência como o tema ambiental, saúde pública e direitos humanos. O segundo é repactuar o Brasil com países com os quais houve atritos por diferenças ideológicas, como foi o caso da França e Alemanha, em que o Brasil se indispôs por temas pontuais como a Amazônia. A Argentina também é muito importante, e uma relação bilateral é benéfica para ambos os países. O terceiro é institucional, repensar o papel do Itamaraty neste contexto e dos entes subnacionais, os municípios, Estados que assumiram um protagonismo importante nesses últimos tempos, importando vacina na pandemia, o que marca uma tendência de uma nova forma de se fazer política externa”, pontuou.

Casarões afirmou que houve uma mudança mais recente no governo do presidente Bolsonaro quanto à política externa em relação à inicial, que era mais ideológica. “O momento decisivo foi a troca de chanceleres em março do ano passado. Saiu o Ernesto Araújo que era mais inflamado e midiático, tinha uma visão mais conspiratória e colocou o Carlos França que é um sujeito mais ponderado e adequado às tradições do Itamaraty”.

Perguntado sobre o uso das redes sociais pelos líderes políticos e seus reflexos para a política externa, o professor de Relações Internacionais acredita que há um risco na interpretação, principalmente com a tradução das mensagens. Casarões vê ainda um processo de aprendizado no uso dessas plataformas. “O problema é o reativismo que a rede social nos impõe, nos forçando a nos posicionar de forma espontânea e pouco refletida. Mas veja, estamos na primeira geração pegando de Obama pra frente, Trump, Bolsonaro, de líderes estrangeiros que usam ostensivamente suas redes sociais para se comunicar. Então tem uma curva de aprendizado também. Aos poucos eles vão compreendendo o que podem e não dizer. Há, portanto, um processo de profissionalização de uso das redes sociais”.

Em relação à possibilidade de guerra entre China e Taiwan, o professor Casarões interpreta o fator econômico como um impeditivo crucial. “Quando a Rússia invadiu a Ucrânia diziam que era questão de dias a China invadir Taiwan também, pois se o mundo aceitou a primeira situação, aceitaria a segunda. Mas lá é diferente, os componentes eletrônicos básicos usados na China vem de Taiwan, portanto eles lucram com isso. A China é um país muito pragmático, para eles o importante é manter o crescimento e se a guerra entre a Rússia e a Ucrânia já dá prejuízos em alimentos e energia para eles, imagina se a China invade Taiwan e isso rompe as cadeias produtivas da alta tecnologia? Não me parece razoável”.

A reunião também foi acompanhada pelo vereador Arselino Tatto (PT), membro do colegiado. Além da oitiva do professor, dez requerimentos de autoria da vereadora Cris Monteiro, de convites para as próximas reuniões, foram aprovados. Dentre eles o convite à presidente da Câmara de Comércio e Indústria Britânica no Brasil, Ana Paula Vitelli.

Fontes