Raúl Domingos: “Ao representar o Estado junto do Vaticano, vou defender o interesse nacional”

19 de julho de 2022

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Agência VOA

Raúl Domingos diz que o Presidente Filipe Nyusi deve ter enfrentado alguma oposição, dentro da Frelimo, à sua nomeação para Embaixador de Moçambique no Vaticano, “porque esta decisão já era esperada, tendo em conta a política de inclusão defendida pelo Chefe de Estado moçambicano”.

O antigo negociador-chefe da Renamo do Acordo-Geral de Paz de 1992, diz-se lisonjeado com esta nomeação, que, frisou, se enquadra na inclusão política que Filipe Nyusi assumiu na tomada de posse para o seu primeiro mandato como Presidente da República.

O atual líder do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), recordou que Nyusi “fez um discurso bastante aplaudido, durante o qual afirmou que as boas ideias não têm cores partidárias, uma forma indireta de dizer que é bem-vinda a participação de todos os moçambicanos na condução dos destinos do país”.

No entanto, Domingos acredita que o estadista moçambicano teve “alguma oposição interna para concretizar este desejo; tendo feito o primeiro mandato e estando agora no segundo e último mandato, provavelmente, já tenha consolidado a sua posição interna e tenha conseguido algumas simpatias a essa ideia, que se comunga com a necessidade de paz e reconciliação nacional”.

O político rejeita a ideia de que vai agora defender o regime que sempre criticou, assinalando que “a posição de Embaixador, é uma posição de representação do Estado e não de Partido, e o Estado moçambicano, obrigatoriamente, deve ter aquilo que é o interesse nacional, e ao representar o Estado junto do Vaticano, vou defender aquilo que é o interesse nacional”.

Prémio

Entretanto, o analista Alexandre Chiure, diz também acreditar que tenha havido oposição à nomeação de Raúl Domingos.

Recordou que quando um quadro da Renamo, Benjamim Pequenino, foi nomeado Presidente do Conselho de Administração dos Correios de Moçambique, muitas vozes no seio da Frelimo se opuseram a essa decisão, tomada pelo antigo ministro moçambicanos dos Transportes e Comunicações, Tomás Salomão.

“Alguns membros da Frelimo questionaram porque nomear um quadro da Renamo quando nós temos pessoas para ocuparem esse cargo nos Correios de Moçambique; pelo que não faltarão vozes que vão dizer que o Presidente Filipe Nyusi errou ao nomear Raúl Domingos para Embaixador na Santa Sé, mas para mim, foi uma decisão correta”, considerou aquele analista.

Para o analista Calton Cadeado, este é um prémio a Raúl Domingos pelo papel que desempenhou para a pacificação do país e também por ser conhecedor e amigo das pessoas que trabalham na Santa Sé.

Cadeado disse, por outro lado, que, politicamente, isto pode ser um sinal de que a temperatura política tensa que nós vivemos durante muito tempo, está a suavizar.

“É verdade que ainda temos alguma tensão no nosso país na relação política entre partidos e entre o Estado e alguns partidos políticos, mas este sinal que está a ser dado, é um sinal de desanuviamento que é simbólico mas um simbolismo muito poderoso”, concluiu.

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