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Militar é acusado de promover massacre em Cabo Verde

Ilha de Santiago, Cabo Verde.

Agência VOA

27 de abril de 2016

Um militar cabo-verdiano do Destacamento Militar de Monte Tchota (ou Txota) é acusado de provocar o primeiro massacre no país desde a Independência em 1975. Segundo a imprensa e o Governo de Cabo Verde, Manuel António Silva Ribeiro, mais conhecido como "Anthany Silva", é o principal suspeito de matar 11 pessoas no dito destacamento militar em Rui Vaz (onde se encontra o principal centro de comunicações do país), que fica a 45 quilómetros da capital, Praia, na noite de ontem (26/4). Outro militar que estava dado como desaparecido, se encarregou entregar às autoridades, a relatar que não tinha nenhuma relacção ao massacre e foi libertado.

Com a notícia do ataque, segundo a Voz da América e a Rádio de Cabo Verde, às 15 horas locais (17 horas UTC), os aeroportos Internacional da Praia e do Sal ficaram fechados, junto de uma fonte no local. Dois soldados foram dados como desaparecidos e todas as forças de segurança se concentrou no local para tentar desvendar o mistério que poderá ter ligações com o narcotráfico, de acordo com fontes não oficiais.

Na capital, uma viatura alugada foi encontrada esta manhã na zona da Cidadela, abandonada, com chave na ignição e uma arma militar num dos bancos. Foram ainda encontradas oito armas AKM e apreendidas cerca de 1000 munições dentro de uma viatura alugada, na mesma região, supostamente roubadas no Destacamento Militar de Monte Tchota.

Em conferência de imprensa após 12 horas do massacre, acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros (Luis Filipe Tavares) e da ministra da Justiça e Trabalho (Janine Lélis), o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, afirmou não haver “indícios de ligação destes acontecimentos com o narcotráfico” e considerou que um soldado afecto ao próprio destacamento que se encontra desaparecido pode estar “envolvido nos acontecimentos".

Segundo o ministro da Administração Interna, confirmou a morte de oito soldados e três civis, sendo um cabo-verdiano e dois espanhóis que colaboravam com a manutenção de equipamentos. As 11 vítimas são do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 20 e os 51 anos, sendo oito militares e três civis. Dos três civis, dois são técnicos de nacionalidade espanhola, que se encontravam em Cabo Verde a prestar serviços no local, e um de nacionalidade cabo-verdiana que também trabalhava com a equipa espanhola.

Ainda de acordo com ministro Rocha, parte das armas e munições levadas do destacamento pelo autor do ataque, "foram subtraídas nove espingardas e munições", foi recuperada pela polícia no interior de um automóvel, na zona da Cidadela-Palmarejo, na cidade da Praia. Rocha disse ainda que as Forças Armadas, a Polícia Nacional e a Polícia Judiciária estão no terreno "empenhadas em esclarecer cabalmente este lamentável episódio", deixando a garantia que "tudo será feito" nesse sentido. Sem dar mais detalhes, Paulo Rocha admitiu, “motivações pessoais” na origem dos ataques. O ministro excluiu também a “ideia de atentado contra o Estado de Cabo Verde” e garantiu que o Governo irá continuar a investigar o caso e dará todo o apoio e solidariedade aos familiares das vítimas, assegura que até às 19 horas (hora local) não havia ninguém preso.

O Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, anunciou em sua página pessoal no Facebook, que suspendeu sua ida aos festejos do tradicional Nhô São Filipe, na ilha do Fogo, neste fim de semana, e diz esperar conclusões “consistentes” sobre o assassinato de oito militares e três civis. Na sua página pessoal no Facebook, considera que o país está perante “um evento deveras trágico” e expressa o seu pesar pelo sucedido e a solidariedade para com as famílias das vítimas.

“As investigações prosseguem em bom e positivo ritmo. Como Chefe de Estado tenho acompanhado muito de perto a situação, nomeadamente através de informações minuciosas que me têm sido transmitidas pelo Governo, seja pelo senhor primeiro-ministro, seja pelo senhor ministro da Defesa, com os quais (mais os senhores Ministros da Administração Interna e da Justiça) me reuni, na Presidência da República pouco tempo depois das trágicas notícias”, acrescenta na nota.

“Perante este ambiente de luto e dor para todos os nossos concidadãos, e como respeito pelas vítimas e seus entes queridos, naturalmente que cancelarei a minha visita ao Fogo, por ocasião das festas do 1.º de Maio”, diz Fonseca, para quem os organizadores daquela que é uma das mais concorridas festas do país “compreenderão as nossas motivações”.

Anthany Silva

No entanto, o paradeiro do soldado Anthany Silva, os motivos e como foi o massacre continuam desconhecidos, o que provocou série de informações desencontradas, cujas informações não foram confirmadas pelas autoridades.

O jornal online Oceanpress revelou no final da noite de ontem que os familiares do soldado desaparecido, terão denunciado à Polícia ser ele o autor da chacina. De acordo com os familiares, o soldado confessou ter assassinado os outros oito militares e mais três outros civis porque estava descontente com o trabalho desempenhado naquele espaço. As fontes daquele jornal online indicaram que o soldado teria chamado as vítimas uma por uma e atirado nelas. Já a agência de notícias de Cabo Verde, procurou alguns parentes após o crime e confessou os assassinatos, sem revelar a motivação. O jornal cabo-verdiana A Semana revelou que uma pessoa estava detido sem avançar mais dados.

Repercussões

Esta é a primeira vez que o arquipélago, conhecido pela pacatez e segurança, regista um caso semelhante, mormente num destacamento militar.

As primeiras informações veiculadas pela imprensa cabo-verdiana apontavam para uma eventual ligação ao narcotráfico, devido aos contornos desse caso inusitado no arquipélago.

A imprensa internacional também deu eco aos ataques.

Histórico

Cabo Verde é conhecido por autoridades estrangeiras desde década passada, como o principal rota país para o tráfico de drogas e contrabando entre América e África, a partir do Brasil e da Guiné-Bissau.

Há evidências de que o crime organizado e as máfias estrangeiras usam Cabo Verde e outros países para actuarem como empresas de fachada em desvios de dinheiro público e outras ilicitudes.

Fontes

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