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Lula: sucesso do acordo com o Irã depende da disposição da ONU para negociar

Agência Brasil

19 de maio de 2010

Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que depende do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sentar com disposição de negociar o acordo que o Brasil e a Turquia conseguiram com o Irã. “Se sentar sem querer negociar, vai voltar tudo à estaca zero.”

Segundo Lula, o acordo é “exatamente o que os Estados Unidos queriam fazer há cinco, seis meses”. Ontem, os Estados Unidos entregaram ao Conselho de Segurança da ONU uma proposta de sanções ao Irã, com o apoio dos outros países que têm vaga permanente no grupo.

Lula tem falado pouco sobre o acordo. Depois que voltou de Teerã e foi para Madri, apenas comentou em discursos a repercussão da promessa feita pelo Irã. Ao responder a jornalistas sobre a mudança de posição da Rússia e da China sobre as sanções – os dois países deram apoio ao acordo e depois ficaram do lado norte-americano – Lula limitou-se a dizer que “são grandes amigos”.

Em discurso no seminário Aliança para Nova Economia Global, o presidente brasileiro criticou a ONU e disse não concordar com a atual governança global. “Apesar de 140 países terem assinado a reforma das Nações Unidas, quem já está sentado na cadeira não quer mudar”, destacou.

Lula ainda disse que há países que não querem que a ONU seja fortalecida. Para ele, há quem pense que, quanto mais fracas forem as Nações Unidas, mais decisões serão unilaterais, predominando a ideia dos países mais fortes. E concluiu: “Se a ONU continuar assim, nós vamos ter problema sério de governança global”.

Também sobraram críticas para os países que não socorreram rapidamente a Grécia, que enfrenta forte crise econômica. O presidente brasileiro disse não entender por que países como a Alemanha demoraram tanto tempo para resolver o problema do vizinho grego.

Ele defendeu o presidente do governo espanhol, w:pt:José Luís Zapatero, diante da recessão econômica que o país vive. Lula afirmou que os responsáveis não assumem a culpa. “Essa crise é mais profunda. O responsável por essa crise finge que não é com ele.”

Lula alertou que a crise na região ainda não passou e não se sabe os seus efeitos. Ele comparou a situação com o vulcão da geleira Eyjafjallajoekull, na Islândia, Norte da Europa: “A crise tá que nem o vulcão na Islândia: todo dia soltando um pouquinho de fumaça preta, atrapalhando o [tráfego] aéreo”.

O seminário do qual Lula participou em Madri reuniu empresários, políticos e intelectuais espanhóis e serviu para atrair investidores para o país. Lula deu garantia de que as eleições no Brasil não vão desviar a política econômica adotada.

“Tenho a convicção de que vou eleger a minha candidata”, disse o presidente, referindo-se à ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. Para ele, “essa ex-guerrilheira [Dilma, que foi militante de um grupo de combate à ditadura militar] pode ser a próxima presidente da República”.

Logo em seguida, também se lembrou dos outros candidatos. Afirmou que Marina Silva, pré-candidata do PV, já foi de seu partido e também ministra do governo. Sobre o candidato tucano, José Serra, Lula disse todos o conhecem por aqui: “O Serra, apesar de ser do PSDB, é amigo de todo mundo aqui”.

Ele concluiu, tranquilizando os investidores espanhóis: “Acho que será muito difícil quem ganhar as eleições mudar o Brasil para que volte ao que era antes, não existe espaço. O Brasil aprendeu a ser sério.”

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