Gana confirma primeiros casos do vírus Marburg na África

Gana, África • 7 de agosto de 2022

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O Serviço de Saúde de Gana (Ghana Hope Service, GHS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmaram nas últimas semanas uns dos primeiros casos do Vírus Marburg só em 2022, doença altamente contagiosa semelhante à provocada pelo Vírus Ebola. De acordo com a imprensa local, já são quatro mortes e um número indeterminado de internados sob suspeita dessa doença. O vírus foi identificado pela primeira vez no mundo em 1967 na Europa.

O primeiro caso foi em 26 de junho, um homem de 26 anos que deu entrada em um hospital e morreu no dia seguinte (27 de junho). O segundo caso foi um homem de 51 anos internado em 28 de junho e que foi a óbito no mesmo dia. Segundo a GHS e a OMS, dois pacientes eram da região sul de Ashanti (centro de Gana) mas sem relações interpessoais. Ambas vítimas apresentaram sintomas como diarreia, febre, náusea e vômito.

Segundo a GHS e a OMS, em 10 de julho, outras duas pessoas morreram no mesmo dia por suspeita do Vírus Marburg. Suas amostras de sangue foram enviadas fora do país, em um laboratório no Senegal (outro país africano) para que os casos fossem considerados confirmados e deu positivo pra esta doença uma semana depois (17 de julho). Na mesma semana, cerca de 90 casos estavam sendo investigados por suspeita de Marburg (18 de julho).

Em 27 de julho, mais uma morte em decorrência de infecção do vírus foi de um membro da família que também foi diagnosticada com quatro casos. Após a confirmação da terceira morte, o GHS disse que está trabalhando para reduzir qualquer risco de propagação do vírus, o que inclui fazer o isolamento de todos os contatos identificados, nenhum dos quais desenvolveu sintomas até agora. A OMS usou o perfil no Twitter que está com "extensa investigação de campo em andamento e está no terreno apoiando as autoridades de saúde [de Gana]".

Vírus Marburg

A doença é considerada como altamente violenta, pois causa febre hemorrágica, as taxas de mortalidade variaram de 24% a 88% em surtos anteriores, dependendo da cepa do vírus e do gerenciamento de casos, de acordo com a OMS. A infecção humana pode se dar por meio de uma exposição prolongada a minas ou cavernas repletas de colônias de morcegos Rousettus.

Uma vez que a pessoa é infectada pelo vírus, este ganha a capacidade de se espalhar pelo contato humano direto (com as membranas mucosas, como a boca, por exemplo), através do sangue, secreções, órgãos ou demais fluidos corporais de pessoas infectadas. Além do mais, a infecção pode ser passada pelo contato com superfícies e materiais contaminados, como roupas de cama.

Vale ressaltar que o período que o indivíduo fica com o vírus varia de dois a 21 dias e que a doença começa abruptamente com febre alta, dor de cabeça intensa e mal-estar, muitos infectados desenvolvem sinais hemorrágicos graves em sete dias.

Histórico

Este é o segundo surto de Marburg na África Ocidental em espaço de um ano. O primeiro caso de infecção pelo vírus foi detectado no ano passado na Guiné e havia sido o único identificado na África em todo o ano de 2021.

A doença ganhou notoriedade internacional em 1967, quando 31 europeus foram internados nas cidades europeias de Marburg, Frankfurt am Main e Belgrado, após realizarem viagens no sul e no leste da África, principalmente em Uganda.

Na época, as cidades Marburg e Frankfurt am Main ficaram na então Alemanha Ocidental (a atual Alemanha era divida em dois, a Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental, que se reunificaram em 1990), enquanto a cidade de Belgrado era a capital da então Iugoslávia que se dividiu em 1991 em uma violenta guerra contra novas nações, mudando nome em 2003 para Sérvia e Montenegro e depois em 2006 para atual Sérvia, quando um plebiscito aprovou a independência de Montenegro.

O nome "Marburg" vem da cidade alemã do mesmo nome que registrou seu primeiro caso, que mais tarde outras duas cidades europeias também registraram outros casos, mas o nome do vírus permaneceu dessa cidade. Em 2015, a OMS decidiu acabar nomeações de nomes em lugares devido o uso depreciativo contra o local, após a polêmica indicação ao nome do vírus MERS ao Oriente Médio em 2013. O vírus circula até hoje na região e algumas partes da Ásia.

Fontes