Covid-19: no Brasil, infectologistas reforçam que não há tratamento precoce para a doença, inclusive com cloroquina

13 de dezembro de 2020

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A SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) emitiu um novo informe no dia 09 passado para "Atualizações e recomendações sobre a Covid-19" onde reforça que não há tratamento precoce para a síndrome causada pelo Sars-CoV-2. Segundo o texto, "a SBI não recomenda tratamento farmacológico precoce para Covid-19 com qualquer medicamento (cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas, anticoagulante, ozônio por via retal, dióxido de cloro), porque os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos podem causar efeitos colaterais. Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a Covid-19".

A entidade também fez questão de reforçar que suas recomendações estão alinhadas às emitidas por diversos órgãos internacionais e nacionais como os Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Santitária (Anvisa) do Brasil.

Semanas antes do novo informe, no dia 24 de outubro, Bolsonaro havia dito a um grupo de franceses em Brasília que "no Brasil, tomando a cloroquina no início dos sintomas, há 100% de cura”.

Vacina x cloroquina

No dia 26 de outubro, Bolsonaro disse, também em Brasília, que investir em tratamentos para a Covid-19 é mais fácil e barato do que investir em vacinas. Na ocasião ele voltou a citar a cloroquina, a ivermectina e a nitazoxanida - esta última o pivô da polêmica do gráfico falso apresentado pelo ministro da Ciência Marcos Pontes semanas atrás.

As falas e atitudes do presidente têm sido duramente criticadas, tanto que Rubens Belfort Jr., presidente Academia Nacional de Medicina (ANM), publicou uma nota no dia 11 passado onde "manifesta enorme indignação pelo descaso, descuido e negligência por parte das autoridades governamentais e das classes políticas que seguem omissas e servis a interesses eleitorais, menosprezando a vida dos cidadãos". (...) "O negacionismo irresponsável de muitos gestores e políticos precisa cessar já".

Já o Sindsaúde RN escreveu no mesmo dia que "repudia o comportamento e a ideologia genocida que Bolsonaro e toda a sua trupe pregam no Brasil".

Apesar das críticas e orientações especializadas, o governo federal, no entanto, não parece querer voltar atrás em sua estratégias, tanto que o Estadão revelou dias atrás que o Ministério da Saúde (MS) tinha disponibilizado 250 milhões de reais para oferecer a hidroxicloroquina e a azitromicina no programa Farmácia Popular.

"O plano prevê reembolsar farmácias conveniadas para que distribuam de graça os medicamentos que compõem o chamado “kit Covid”, revelou o Estadão. Com 2,5 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina encalhados nos estoques, o MS planeja gastar ainda mais para oferecer o medicamento, além do antibiótico azitromicina, nas farmácias populares. Essa verba de R$ 250 milhões permitiria ao governo comprar 13,18 milhões de doses da vacina produzida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório Astrazeneca, ao preço de R$ 18,95 por unidade, suficiente para imunizar quase 7 milhões de pessoas, segundo apurou o jornal", escreveu o ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industria) em seu website.

O claro desinteresse na vacinação também ficou claro após a imprensa revelar dias atrás que o governo federal sequer havia programado a compra de seringas e agulhas para a aplicação dos imunizantes nos próximos meses. À Globo, Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (ABIMO), disse que as empresas haviam procurado o MS em julho passado para explicar sobre a necessidade de planejamento prévio para a produção dos materiais, mas que efetivamente o contato por parte do órgão havia sido feito somente no início de dezembro.

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