Ciclone ou furacão? Fenômeno que trará vento, chuva e neve deixa Uruguai e Rio Grande do Sul em alerta máximo

17 de maio de 2022

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01:08 GMT

Ciclone a leste da Argentina na semana passada

Os olhos de meteorologistas do mundo todo estão voltados para o sudeste da América do Sul, onde um ciclone que começou a se desenvolver à leste da Argentina na semana passada tem chamado a atenção por seu comportamento atípico: como é comum nesta região do planeta, ele curvou para nordeste, Atlântico adentro, onde deveria começar a se dissipar, mas, no que os modelos meteorológicos traçados por computadores já apontavam, ele voltou a se encurvar para sudeste e girando para oeste deverá tocar solo ou chegar muito perto hoje à noite ou amanhã de manhã de algum lugar entre o nordeste do Uruguai e sudeste do Rio Grande do Sul (RS) - o local mais provável, segundo as novas previsões, é à leste da Lagoa dos Patos.

Além de sua trajetória incomum, o ciclone, que começou extratropical, ao fazer este percurso, se tornou subtropical - com alguns meteorologistas dos Estados Unidos apontando que pode ser tropical, ou seja, um furacão. A Marinha do Brasil emitiu uma nota ontem onde comunicou que “em colaboração com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica da Força Aérea Brasileira (CIMAER/FAB), Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), o Servicio Meteorologico Nacional (SMN) da Argentina e o International Desk do National Oceanographic and Atmospheric Administration (NOAA) informa que na noite do dia 16 de maio poderá ocorrer a formação de um ciclone subtropical, em alto-mar, na posição 38°S 045°W, aproximadamente a 485 milhas náuticas (900 km) a sudeste da costa do estado do Rio Grande do Sul. O sistema será classificado como Tempestade Subtropical, sendo atribuído o nome 'Yakecan' (...)”.

A Marinha estima que os ventos sustentados possam alcançar 88km/h, com rajadas de 100km/h, enquanto a Metsul apontou que outros modelos indicam que seus ventos podem passar de 130km/h, o que equivale a ventos de um furacão C1. “Trata-se de situação de elevado perigo meteorológico e de extremo risco à população com alta probabilidade de danos e comprometimento de serviços públicos essenciais como luz e água. Moradores de municípios do Sul e do Leste do Rio Grande do Sul devem enfrentar várias horas seguidas de vento muito forte a intenso com rajadas por vezes violentas em intensidade”, alerta o portal Metsul. “Não há precedentes na história recente de um ciclone tão profundo em meses frios do ano na latitude do como o que os modelos projetam para amanhã [hoje] e a quarta-feira”, enfatizou a Metsul também.

Chuva, neve e geada

Como é comum, este fenômeno com ventos circulantes acaba formando e carregando uma massa de umidade (as nuvens), que neste caso se juntarão com o ar mais frio comum no Sul nesta época do ano, o que pode acarretar na queda de neve e chuva congelada. Neve está prevista na Serra Catarinense, Serra Gaúcha e até no sul do Paraná.

Além disto, o ventos também espalharão as nuvens e o frio sobre uma vasta área, que pode alcançar até o centro do RS e Santa Catarina (SC), onde deve chover até de forma intensa em alguns locais. A formação de geada está prevista no RS, SC, centro-norte do Paraná, São Paulo, especialmente na Serra da Mantiqueira e Vale do Paraíba, no Triângulo e centro-sul de Minas Gerais, no Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás.

A melhora do tempo

Segundo o Inmet, o vento forte deve persistir na costa do RS e de SC até quarta-feira à tarde, enquanto a chuva e o frio continuarão até pelo menos sexta-feira. “A onda de frio continuará atuando no centro-sul do Brasil nestes próximos dias”, avisou o Instituto em seu portal.

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