Cabo Verde: Apesar de avanços, há caminho a percorrer na igualdade entre homens e mulheres

15 de julho de 2022

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Agência VOA

A subida de Cabo Verde de 23 lugares no ranking mundial do gênero, publicado pelo Fórum Económico Mundial, é fruto de um intenso trabalho feito pelos diferentes atores políticos e organizações da sociedade civil.

A leitura é de políticos e ativistas cabo-verdianos depois da divulgação da lista em que o arquipélago ocupa a 49.ª posição.

Os pilares que contribuíram para esta subida, segundo os autores do ranking, prendem-se com o empoderamento político, o nível educacional, saúde e sobrevivência.

A deputada do Movimento para a Democracia (MpD), no poder, que preside a rede parlamentar de mulheres, Lúcia Passos, diz que os ganhos em matéria do gênero são visíveis e cita algumas importantes medidas implementadas.

“A aprovação da lei da paridade em 2019 e a sua aplicação nas eleições autárquicas de 2020 e legislativas no ano seguinte, mas também um conjunto de medidas que o país tem vindo a adoptar desde a aprovação do Plano Nacional da Igualdade do Gênero, da lei de combate à Violência Baseada no Gênero, e todo trabalho que as organizações não governamentais têm feito para o empoderamento das mulheres”, enumera Passos em conversa com a VOA, lembrando que “há 42 por cento de mulheres nas vereações das Câmaras e Assembleias Municipais e 37, 5 por cento no Parlamento.”

No entanto, aquela deputada considera que se deve estar sempre atento no cumprimento da lei, pelo que “a fiscalização da Comissão Interdisciplinar é muito importante”.

Também a presidente da Associação de Luta contra VBG mostra-se satisfeita com a caminhada, mas quer mais ações práticas.

“Não devemos tomar como um dado completamente adquirido porquanto ainda há desafios e precisamos de ter mais mulheres nos cargos de decisão na administração, sobretudo nas empresas, sem esquecer o maior empoderamento das mulheres que são a maioria no sector informal”, diz à VOA aquela responsável associativa.

O estudo do Fórum Económico Mundial conclui no caso de Cabo Verde, que na participação e oportunidades econômicas houve um ligeiro decréscimo em relação a 2021.

O ranking é divulgado desde 2006 para acompanhar e avaliar o progresso alcançado pelos países visando colmatar os fossos de gênero ao longo do tempo.

A Islândia lidera a lista há 13 anos e, neste ano, é seguida da Finlândia, Noruega, Nova Zelândia e Suécia, enquanto a República Democrática do Congo e o Afeganistão são os últimos.

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