12 de novembro de 2023

Seca no sertão nordestino em 2012.
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Um estudo realizado por pesquisadores do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelou que o Brasil registrou pela primeira vez áreas com clima árido, semelhante ao de desertos. Foram utilizados dados climáticos de 1990 a 2020, os quais revelaram que o índice de aridez caiu a níveis inéditos, aumentando as áreas em desertificação.

Segundo o estudo, a região norte da Bahia foi a mais afetada pela aridez, apresentando uma redução no número de nuvens e na capacidade de chuva. As principais causas apontadas pelos pesquisadores foram as mudanças climáticas, que elevaram a temperatura da terra e a evaporação da água, e a degradação do solo causada pelo uso humano, como desmatamento e queimadas.

O estudo alerta que o processo de aridez do clima avança por todo o país, com exceção da região Sul, e que isso pode trazer graves consequências para a biodiversidade, a agricultura e a qualidade de vida das populações afetadas. Os pesquisadores recomendam que o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e outros órgãos ambientais e do governo federal elaborem um plano de ação para combater a desertificação e mitigar seus efeitos.

O Brasil é signatário da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), que define como terras secas aquelas áreas que apresentam um índice de aridez entre 0,05 e 0,65. Dentro desse conceito, existem três tipologias: subúmidas secas, semiárido e árido. Até então, o Brasil tinha apenas as duas primeiras tipologias, abrangendo parte dos nove estados do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. Agora, o país passa a ter também uma área árida, que se assemelha a um deserto.

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