17 de novembro de 2023

Javier Milei
Sergio Massa
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Após longos meses de campanha, finalmente neste domingo os argentinos definirão quem será seu presidente nos próximos quatro anos. Num segundo turno que parece muito equilibrado, Sergio Massa e Javier Milei decidirão a liderança de um país atolado numa profunda crise econômica e polarização social.

Este contexto é fundamental para compreender o estado de espírito da população e a possível inclinação para um ou outro candidato. “Na Argentina falta uma perspectiva positiva porque vivemos em crise há muitos anos e isso gera um efeito de habituação e desamparo”, explicou o consultor e pesquisador Federico González.

Os analistas asseguram que este panorama foi o que permitiu ao ultra-liberal Milei chegasse ao segundo turno eleitoral. No entanto, propostas extremas, como o fim do Banco Central Argentino, dolarização da economia e enceramento das relações com grandes parceiros (como Brasil e China) afastaram muitos eleitores.

Sergio Massa, atual ministro da Economia, foi o mais votado nas eleições gerais de outubro, com 36,68% do total de votos. Em segundo lugar ficou Javier Milei, com 29,98% dos votos.

Para o segundo turno, os dois candidatos centraram-se em seduzir os indecisos e o eleitorado que votou em Patrícia Bullrich, representante da centro-direita, que terminou em terceiro lugar com 23,83% dos votos, ou os que elegeram para o governador da província de Córdoba, o peronista Juan Schiaretti, que ficou em quarto lugar com 6,78%.

“Em praticamente todos os processos eleitorais os eleitores indecisos são fundamentais, mas neste são ainda mais dado que todas as previsões indicam resultados muito próximos”, analisou o cientista político Patricio Giusto.

Ao caminhar pelas ruas do centro da Cidade de Buenos Aires, é facilmente palpável o descontentamento da sociedade em relação aos rumos do país e aos candidatos que disputarão o segundo turno para se tornar presidente.

“Prefiro votar em branco porque nenhum deles me dá confiança, não acredito neles”, disse David enquanto se dirigia para o trabalho na icônica Avenida Corrientes, a poucos metros do Obelisco.

“A verdade é que não sei em quem votar, mas não porque ambos tenham ideias que me convençam e que eu goste, mas muito pelo contrário, ambos os candidatos me parecem pouco apresentáveis”, disse Catalina, dona de uma loja de depilação que está praticamente falida devido à grave crise económica.

Segundo analistas, esses depoimentos são um verdadeiro reflexo do que sente a sociedade argentina. “Esta eleição está sendo disputada entre duas emoções”, explicou a cientista política Nayet Kademián: “Uma é o medo que Milei gera em aproximadamente metade da população e, a outra, a desconfiança que Massa desperta em praticamente a outra metade da sociedade.”

Com todos esses aspectos em jogo, mais de 35 milhões de argentinos estão aptos a ir às urnas e votar.

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