Angola: Partidos tentam suprir à última hora insuficiências nas listas para as eleições

4 de julho de 2022

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Agência VOA

Os 12 partidos autorizados a concorrer às eleições gerais de 24 de agosto em Angola têm pouco menos de 24 horas para, junto do Tribunal Constitucional (TC), apresentarem correções às lacunas detectadas nas suas candidaturas à Assembleia Nacional (AN).

A instituição revelou recentemente que todos tinham insuficiências que deviam ser supridas em 10 dias, contados a partir do dia 26 de junho.

Nesse processo, saltou à vista, contudo, o facto de, na lista publicada pelo TC, pelo menos três formações políticas, recentemente legalizadas, não terem reunido o número de candidatos a deputados exigidos por lei, até o dia 25 de junho.

É o caso do Partido Humanista de Angola (PHA), liderado pela jornalista e antiga militante da UNITA, Florbela Malaquias, que não reuniu candidatos para os 18 círculos provinciais e dezenas de outros para o círculo nacional.

Simba Luwawa, mandatário de lista do partido, garantiu à VOA que a formação vai suprir todas as lacunas apontadas “até ao último dia.”

Dinho Jonatão Chingunji, líder do Partido Nacionalista para a Justiça em Angola (P-NJANGO), também prefere guardar tudo para “a última hora.”

Da lista de candidaturas deste partido não constam os círculos provinciais da Huíla e do Cuando Cubango.

Não foi possível contactar o presidente da Aliança Patriótica Nacional, Quintino Moreira, quem não atendeu à chamada da VOA.

Na lista inicial do seu partido, faltam candidatos a cinco círculos provinciais e apenas apresentou 107 dos 130 candidatos ao círculo nacional, exigidos por lei.

O jornalista Ilídio Manuel entende que o surgimento destes partidos suporta a tese segundo a qual muitos deles “foram favorecidos pelo partido no poder, o MPLA, para fazer o jogo político no sentido de retirar o voto ao principal partido da oposição a UNITA”.

O também jornalista Graça Campos considera que “esta questão indicia, fortemente, mais do que uma incongruência, uma suspeita grave sobre o processo de legalização dessa legenda pelo Tribunal Constitucional, numa referência em particular ao partido de Florbela Malaquias”.

“A questão do Partido Humanista (parece óbvio) é um caso de estudo”, diz, perguntando nas redes sociais: “Como uma quase desconhecida funda um partido às pressas e é reconhecida pelo Tribunal Constitucional em tempo recorde, enquanto o Pra-Já, do veterano Abel Chivukuvuku, é chumbado?”

A lei prevê, depois da publicação das listas, um período de 10 dias para suprimento das insuficiências, irregularidades e deficiências, que vai de 26 de junho a 5 de julho.

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