Ásia: serviços de saúde essenciais afetados pela pandemia de covid-19 podem ter levado milhares de crianças à morte

2 de maio de 2021

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Um relatório, encomendado pel UNICEF e apoiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), reportou em março passado que cortes drásticos na disponibilidade de serviços essenciais de saúde pública em todo o sul da Ásia devido a pandemia de covid-19 podem ter contribuído para o aumento de óbitos materno-infantis. Em comparação a 2019, a região teve 228.000 mortes infantis a mais e 11.000 mortes maternas a mais em 2020.

Entre os problemas apontados no relatório estão o fechamento de clínicas e outras unidades de saúde e o fim de programas sociais, como os que garantiam alimentos, como tentativas de controlar a propagação do vírus Sars-Cov-2. Em dados mais específicos, o documento reporta a queda de 80% no número de crianças tratadas para desnutrição aguda severa (SAM) no Nepal e em Bangladesh e uma queda acentuada nas imunizações infantis no Paquistão e na Índia.

Impacto devastador

“A queda desses serviços essenciais teve um impacto devastador na saúde e nutrição das famílias mais pobres”, disse o diretor regional do UNICEF para o Sul da Ásia, George Laryea-Adjei.

No entanto, o relatório também alerta para o grave impacto futuro da atual crise, principalmente na vida de milhões de meninas, que serão especialmente afetadas pela falta de serviços de saúde sexual e reprodutiva.

“Dado o contexto cultural e social do sul da Ásia, a suspensão desses serviços está aprofundando as desigualdades e provavelmente levará a um aumento no número de mortes maternas e neonatais”, disse Bjorn Andersson, diretor regional da Ásia-Pacífico do UNFPA. “Também é provável que haja mais 3,5 milhões de gestações indesejadas nesta região", adicionou.

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